Quatro mulheres.
Quatro herdeiros da máfia.
Um acordo selado em sangue e um destino que nenhuma delas escolheu.
Prometidas à Máfia conta a história de Lilare, Judith, Marlene e Janice.
Quatro jovens que o destino uniu e transformou em família. O que...
Dedicatória: Para aqueles que procuram relaxar e não conseguem encontrar o seu refúgio. Para os corações cansados que carregam tempestades em silêncio. Que nestas páginas encontram um abrigo, mesmo entre o perigo, o amor e o caos. Porque às vezes, até nas histórias mais sombrias, nasce um lugar para respirar.
Eles não pedem atenção… eles tomam:
Oops! This image does not follow our content guidelines. To continue publishing, please remove it or upload a different image.
"Algumas escolhas não têm volta. Você foi uma delas."
Oops! This image does not follow our content guidelines. To continue publishing, please remove it or upload a different image.
"Você não me assusta. Basta um gesto… e você faz exatamente o que eu quero."
Oops! This image does not follow our content guidelines. To continue publishing, please remove it or upload a different image.
"Você brinca com fogo… depois não reclama quando se queima."
Oops! This image does not follow our content guidelines. To continue publishing, please remove it or upload a different image.
"Você acha que está no controle… eu só deixei você acreditar nisso."
Algumas escolhas não têm volta.
Descalça corria sem parar com medo que me pegassem mas eu… Não parei. Não podia parar. O barulho seco contra o chão frio ecoava como um lembrete: ou corro agora, ou volto para o inferno que deixei para trás.
As pessoas me olhavam, claro. Quem não olharia para uma mulher de vestido de noiva correndo dentro de um aeroporto? Alguns riam, outros apontavam. Eu sentia os celulares erguidos, gravando, transformando minha fuga em espetáculo. Que riam. Que filmassem. Nenhum deles sabia de onde eu vinha, nem do que eu tinha fugido.
Corri mais. A respiração ardia, e o coração parecia explodir dentro do peito. Meus olhos ardiam não de lágrimas, mas de desespero que me encontrassem. Eu não posso perder tempo. Não mais.
O balcão estava ali, quase ao alcance. Apenas um pouco mas… Havia mais três correndo, na direção ao balcão como se as suas vidas dependessem daquilo.
Não conhecia nenhuma delas. Mas bastou um olhar para perceber: todas estávamos tentando escapar de algo. A morena alta com o celular na mão ainda teve coragem de sorrir para estranhos e tirar fotos. A outra, mais baixa, digitava freneticamente em quiosque de check-in, como se pudesse encontrar a própria saída dali. A terceira… bem, essa não precisava de apresentações. O rosto dela indicava uma perfeição ambulante, impossível de passar despercebida mesmo na multidão.
Mas nada disso importava. Não eram histórias, nem nomes. Era sobrevivência.
Corremos até o balcão, onde a atendente da companhia aérea olhava para nós com espanto, quatro noivas desesperadas em busca de bilhetes.
— O que posso ser útil. — disse com a voz aveludada.
— Por favor, uma passagem para Los Angeles, qualquer voo serve! — Todas falamos em um uníssono, deixando a atendente confusa.
Atendente, digitou algo no computador e ergueu os olhos:
— Sinto muito senhoras… só sobrou um bilhete para Los Angeles.
— Eu posso pagar,eu cheguei primeiro. — quando percebi que não tinha trazido nenhum dinheiro comigo. Nem as outras duas tinham.
Só restava, a princesa da Disney, claro que ela tinha o dinheiro. A atendente estendeu o papel por cima do balcão. As mãos eram firmes como rocha, mas foi a princesa da Disney agarrou primeiro.
— Então é você quem vai — murmurou a morena alta.
Por um segundo, pensei em arrancar aquele pedaço de papel de seus dedos. Mas então vi o brilho em seus olhos, um brilho que acredito que já o perdi a muitos anos.
Ela não esperou… se quer eu respirar. Assim que os dedos dela fecharam em volta do bilhete, ela disparou em direção ao portão de embarque. O vestido de noiva arrastava pelo chão, como se fosse um rastro branco condenando-a.
— Ei, espera! — gritei, mas a voz se perdeu no burrinho do aeroporto.
Sem pensar, corri atrás dela. Meus pés batiam contra o piso brilhante, o coração explodia dentro do peito. Atrás de mim, ouvi os passos apressados das duas outras noivas as três correndo como loucas, como se o futuro inteiro estivesse pendurado naquele voo.
As pessoas paravam, riam, sacavam celulares para filmar quatro mulheres em vestidos de noiva atravessando o saguão. Eu podia ouvir o som dos flashes, dos comentários, dos risos. Mas nada importava. Nada além de alcançar a bonequinha.
Ela já estava próxima da fila de embarque quando a sirene soou. Uma voz metálica cortou o ar:
— Última chamada para o voo 308, destino Los Angeles. Portão 12 encerrando.
— Não! — o grito escapou da minha garganta antes que eu pudesse engolir.
A bonequinha correu mais rápido, levantando o vestido para não tropeçar. Nós três a seguimos, mas parecia que o mundo inteiro conspirava contra nós: uma mala atravessou o caminho, uma criança chorando quase me derrubou, e quando finalmente chegamos diante do portão, a porta de vidro se fechou na nossa cara.
A atendente olhou para nós com pena. — Sinto muito, o embarque foi encerrado.
O silêncio caiu sobre mim como um soco. Olhei para a Bonequinha. Ela ainda segurava o bilhete, os olhos marejados, respirando como se tivesse corrido uma maratona.
Perdemos.
E naquele instante, percebi que não era só um voo. Tínhamos perdido a chance de desaparecer do mapa, de sumir antes que nossos carrascos nos encontrassem.
As luzes do aeroporto continuavam brilhando. As pessoas ainda riam. Mas dentro de mim só havia um vazio gelado.
O destino acabava de nos virar as costas. E eu tinha que encontrar um jeito de escapar.