O sol já havia se recolhido, e as luzes cintilantes da cidade se estendiam como um cobertor estrelado. Longe dali erguia-se o Edifício Éster, um colosso de concreto e vidro que por muito tempo fora refúgio de pessoas ricas que usufruíam de suas acomodações para reuniões, descanso e férias.
Agora, suas paredes exibiam o cansaço do tempo. Seus corredores guardavam ecos esquecidos e, principalmente, seus elevadores — em especial o da ala C — eram fonte de murmúrios e lendas urbanas. Não passava de um pedaço de concreto abandonado no meio da cidade, mas havia algo naquele lugar que parecia resistir ao esquecimento.
Ana, uma jovem e ambiciosa arquiteta recém-formada, estava ali por um motivo específico: estudar a arquitetura brutalista dos anos 70 para sua tese de doutorado. Rafael, seu namorado de longa data, era programador e trabalhava para grandes empresas de tecnologia.
Acompanhando os dois estavam os irmãos gêmeos André e Andreas, amigos de Rafael desde a adolescência. Apesar de idênticos na aparência, eram completamente diferentes no temperamento.
André era o mais debochado, sempre pronto para provocar e transformar qualquer situação em piada. Andreas, por outro lado, era mais observador e curioso; gostava de investigar mistérios e registrar tudo em seu pequeno gravador portátil.
Na verdade, os dois estavam ali mais pela aventura do que por qualquer interesse acadêmico.
Histórias de eventos inexplicáveis e uma atmosfera opressora que pairava sobre o prédio abandonado haviam atraído o quarteto para aquela exploração noturna.
Eles sabiam que a energia do prédio havia sido cortada há anos. Mesmo assim, por precaução, Ana havia entrado em contato com a antiga fornecedora de energia, que concordou em religar o sistema por uma breve janela de tempo, mediante um pagamento adiantado.
Forçaram a entrada principal e adentraram o saguão empoeirado.
A luz fraca das lanternas revelava a grandiosidade decadente do lugar. O silêncio era quase palpável, quebrado apenas pelo eco de seus próprios passos.
Ana ficou encantada com tudo o que via. Aquilo era muito diferente do que estava acostumada; até então só conhecia aquele tipo de arquitetura através de fotografias e estudos da faculdade. Com sua máquina fotográfica em mãos, registrava cada detalhe com entusiasmo.
Logo estavam perdidos em meio a tantas informações.
Foi então que Andreas chamou os outros.
Todos se aproximaram dele. O gêmeo apontava para um corredor lateral que parecia conduzir a outra ala do prédio.
— Acho que é por aqui — disse ele.
Ninguém discordou.
Assim que seguiram pelo caminho sugerido, encontraram caída no chão uma pequena placa metálica.
ALA C, dizia o aviso.
Sem muita cerimônia, desapareceram na penumbra do corredor. A nova ala revelava ainda mais detalhes arquitetônicos interessantes para Ana, e a cada fotografia tirada seu entusiasmo aumentava.
— Eu não entendo como alguém pode ficar tão feliz vendo parede velha — comentou André, com seu típico tom sarcástico.
Rafael, por sua vez, apenas pediu que ela tentasse não gritar tanto. Cada exclamação ecoava pelos corredores vazios, e aquele eco estranho o deixava inquieto. Claro que aquilo virou combustível perfeito para André, que passou a zombar do amigo sem parar.
— Relaxa, Rafael — provocou ele. — Fantasma nenhum vai puxar teu pé.
— A gente nem sabe se esse lugar é seguro — respondeu Rafael.
YOU ARE READING
O Mesmo
HorrorO que o Edifício Éster esconde? Quatro jovens curiosos com a arquitetura do lugar vão encontrar não apenas vidro e concreto, mas um segredo antigo que ninguém ainda descobriu.
