LOBO EM PELE DE CORDEIRO

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Aviso de Conteúdo

Esta história contém temas e cenas que podem ser sensíveis para alguns leitores.

Gatilhos: sexo, violência, sangue, canibalismo e morte.

Não recomendado para menores de dezoito anos.


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Carpazinha, 13 de agosto de 1932.

Jasper nunca sonhou alto.

Ele nem sabia como fazer isso, morando naquela cidade minúscula, fazendo as mesmas coisas todos os dias.

Mesmo que algo nele ansiasse pelo novo, sempre ouviu a mãe dizer que "isso era coisa da idade." Ou o pai falar que "um dia ele acostuma."

Jasper não queria se acostumar.

Ele era um garoto de 22 anos, morador de uma cidade pequena onde boa parte dos trabalhos era no campo.

Era onde ele trabalhava.

O sol beirava os quarenta graus. O chapéu protegia a cabeça, mas os braços ardiam em tons de vermelho antigo, a pele repuxando a cada movimento da enxada.

Ele já estava acostumado com aquela rotina, por mais que não gostasse.

Naquele dia, ele começara antes do sol nascer. Havia algo de quase sagrado no campo vazio, quando só existia o som da própria respiração e o canto distante de algum pássaro indeciso. Sem vizinhos chamando, sem senhoras curiosas perguntando sobre o pai, sem olhares avaliando se o filho do pastor estava se comportando como devia.

Era só ele.
Uma enxada.
Uma pá.
Ferramentas de colheita.
E a herança.

Milho, principalmente. Um pouco de soja, da forma que sempre foi. O bisavô abriu a primeira clareira. O avô ampliou. O pai consolidou. E, pelo que todos diziam, o futuro estava traçado.

Jasper ajudava desde criança. Aprendera com a mãe a cuidar das mudas delicadas, a reconhecer folhas doentes, a medir a água certa. Com o pai, aprendera o peso dos sacos cheios, o esforço nos ombros ao carregá-los até o caminhão que garantia o dinheiro do mês.

Não era muito.
Mas pagava as contas.
Mantinha a luz acesa.
E mantinha tudo no lugar.

Por volta de uma hora da tarde, ele finalmente parou. Dois sacos cheios de milho, outro pela metade, alguns grãos estragados antes da colheita. As mãos estavam sujas de terra escura, o suor escorria pelas têmporas e queimava os olhos. O sol estava alto demais, cruel até na sombra.

Ele jogou a enxada sobre o ombro, segurou os três sacos com a outra mão e começou a caminhada de quase um quilômetro até a casa. Os hectares da família se misturavam aos de outros moradores, formando um mar verde e dourado que se estendia por Carpazinha inteira.

- Boa tarde, Pastorzinho. - Uma voz feminina falou ao longe.

- Boa tarde, senhorita Lena! - Jasper respondeu acenando com a cabeça. - Como vai o bebê?

- Bem, muito obrigada! Mande um beijo para sua mãe.

Ele acenou com a cabeça.

- Pastorzinho! Avise seu pai que preciso falar com ele depois! - Um homem falou passando por Jasper.

- Boa tarde, senhor Veríssimo. - Jasper assentiu, sem parar de andar. - Eu aviso ele sim, pode deixar.

"Pastorzinho."

O último pecador. - JusperStories to obsess over. Discover now