Olá meu nome é Lalisa Manobal.
Você provavelmente me conhece de algum lugar. Talvez das capas de revistas. Talvez dos palcos. Talvez das manchetes que durante mais de 40 anos inventaram coisas sobre mim.
Já fui chamada de tantas coisas: talentosa, hipocrita, falsa, arrogante, alphinista social, apropriadora, genial, ambiciosa e muitas, muitas outras coisas...
Mas se não me falha a memória tem algo que nunca usaram pra me descrever
Feliz.
Não que eu não tenha sido. Eu fui, e muito. Em alguns momentos. Mas a felicidade não é uma coisa que você carrega pra sempre. É mais como algo que te visita, e depois vai embora.
Ela, por exemplo, foi a minha maior visita. E também a maior partida.
Mas vamos começar do começo. Do dia em que eu cheguei na Coreia sem fazer ideia do que me esperava.
Então senta aí, pega um café. Vou te contar uma história.
— Lisa, 63 anos, escrevendo isso num caderno enquanto espero o café esfriar.
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Existe um momento muito específico na vida em que você percebe que tomou uma decisão potencialmente muito estúpida.
O meu aconteceu exatamente 7 horas depois de sair da Tailândia. Porque agora aqui estou eu sentada no chão do aeroporto de Seul, com duas malas gigantes, sem internet, sem saber qual aplicativo de táxi funciona nesse maldito país e como se não pudesse piorar com 3% de bateria no celular.
Talvez eu devesse ter pensado melhor antes de me mudar para outro país assim do nada, mas sabem como é minha avó disse que estava tendo um bom pressentimento nisso tudo, e como ela é a pessoa mais inteligente que eu conheço decidi dar um longo passo no escuro.
Mas nada disso anula o fato de que 7 horas atrás eu estava em Bangkok, tranquila, assistindo 'About Time' no avião pela oitava vez e me convencendo de que estudar na escola de artes mais competitiva de toda Ásia era uma ideia maravilhosa pra minha futura carreira. Ou melhor maravilhosa não. Inspiradora. Transformadora. Coisa de protagonista de filme.
E agora?
Agora eu estou considerando seriamente a possibilidade de morar nesse aeroporto.
Apoio o queixo nas mãos e olho em volta. Esse lugar é gigantesco, brilhante e também organizado demais, uma coisa que na verdade me irrita. Organização demais sem sombra de dúvidas não combina comigo.
As pessoas passam por mim arrastando malas elegantes. Funcionários caminham de um lado para o outro como se tivessem missões importantes para cumprir. Um grupo de turistas tira fotos perto de uma escultura moderna que provavelmente significa algo profundo.
— Ok — eu falo para mim mesma como um belo ato de solilóquio — Não entra em pânico Lalisa.
Mas eu obviamente entro em pânico quando meu celular vibra avisando que está prestes a desistir da vida.
2%.
— Perfeito.
Perfeito mesmo. Porque claramente a coisa mais inteligente que alguém pode fazer quando decide estudar em outro país é não pesquisar qual aplicativo de táxi funciona lá.
Na Tailândia por exemplo, todo mundo usa o Grab, a minha mãe usa Grab, a minha tia usa Grab, e olha que ela ainda escreve "Facebook" no meio da frase com F maiúsculo.
Mas aqui?
Aqui aparentemente existe outro aplicativo misterioso que todo mundo conhece menos eu. Eu desbloqueio o celular pela décima vez e encaro a tela como se a resposta fosse aparecer sozinha, mas chocando um total de zero pessoas adivinhem. Ela não aparece.
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A um passo do estrelato (jenlisa)
FanfictionLalisa Manobal atravessa os portões de uma das escolas de artes mais prestigiadas da Coreia do Sul carregando mais do que malas: carrega o peso de ser estrangeira, bolsista e silenciosa em um lugar onde todos parecem falar alto demais. Narrada por L...
