Quando o olhei, não houve hesitação.
Houve fome.
Ele já estava perto demais. O calor do corpo dele atravessava o espaço mínimo entre nós, pesado, intencional. Não era proximidade acidental. Era cálculo. Era escolha.
O templo estava em ruínas. A deusa partida ao meio atrás de nós. A luz do entardecer filtrava-se pelas fendas como se tentasse assistir sem ser vista.
E ele me olhava como se eu fosse o único altar que importava.
- Você sabe por que eu vim - disse, a voz baixa, carregada de algo que não era apenas desejo. Era promessa.
Suas mãos deslizaram pela minha cintura sem pressa, mas sem dúvida. Apertaram. Subiram. Desceram novamente. Exploravam como quem já decidiu possuir.
Meu corpo reagiu antes que eu pudesse mentir para mim mesmo.
Eu deveria tê-lo afastado.
Em vez disso, fechei os dedos no tecido da roupa dele e o puxei para mais perto.
Os olhos negros brilharam.
Vitória.
- Aqui? - murmurei, mas minha respiração já traía minha pergunta.
Ele aproximou a boca da minha, sem tocar.
- Principalmente aqui.
Os lábios roçaram os meus apenas o suficiente para incendiar. Depois desceram pelo meu queixo, pelo meu pescoço, lentos, deliberados. Cada toque parecia arrancar uma camada de autocontrole.
Minhas costas encontraram o altar rachado.
A pedra estava fria.
Ele, não.
Suas mãos firmes percorreram meu corpo como se estivessem desenhando território. Como se cada centímetro meu estivesse sendo reivindicado ali, sob o olhar da deusa quebrada.
- Ainda pode me mandar parar - ele sussurrou contra minha pele, mas seus quadris já pressionavam os meus com intenção clara demais para ser ignorada.
Eu não mandei.
Minhas mãos subiram por suas costas, encontrando as cicatrizes onde as asas haviam sido arrancadas. Passei os dedos ali e senti o corpo dele reagir - um arrepio, um som baixo preso na garganta.
Ele não era o único afetado.
A tensão entre nós deixou de ser promessa.
Virou necessidade.
O primeiro trovão ecoou.
Não nos afastamos.
O segundo veio mais forte.
Ele me segurou com firmeza e me ergueu levemente contra a pedra, forçando nossos corpos a se alinharem sem espaço para dúvida.
O gesto arrancou de mim um som que não parecia digno de um rei.
Ele sorriu contra minha boca.
- Que o céu assista - murmurou. - Quero que saibam que você me escolheu.
E eu o escolhi.
Não houve delicadeza quando o beijei de volta.
Houve posse.
Houve urgência.
Houve meses - talvez anos - de desejo acumulado explodindo no único lugar onde jamais deveria.
A bússola caída no chão começou a girar freneticamente.
O vento invadiu o templo.
A estátua de Luminu perdeu outro fragmento sob o rugido da tempestade.
Mas nada nos tocou.
Nada nos impediu.
As mãos dele apertaram minha cintura com força, guiando, exigindo, prometendo tudo o que ainda não tinha sido feito - mas seria.
Ali.
Naquele altar.
Diante dos deuses que fingiam não ver.
E quando nossos corpos finalmente deixaram de apenas insinuar e começaram a agir como dois homens que não se importavam mais com consequência alguma...
O céu rasgou.
E nós não paramos.
- Posso? - ele perguntou, mas já estava abrindo nossas roupas, como se a resposta fosse apenas formalidade.
Eu assenti, confiante demais. Arrogante demais.
Só entendi meu erro quando ele se pressionou contra mim.
Meu fôlego travou.
Era grande. Grande demais.
- Espera... - comecei, o corpo já tenso, já se abrindo mesmo contra minha própria prudência.
Tarde demais.
Ele entrou de uma vez, arrancando de mim um som rouco, quase indigno. Meus dedos cravaram nos ombros dele, unhas marcando pele. Doeu. Ardido. Intenso.
E absurdamente excitante.
- Você... - tentei respirar. - Isso é-
Ele segurou minha cintura com força, mantendo-me no lugar enquanto avançava mais um pouco, devagar agora, como se saboreasse meu choque.
- Grande? - murmurou contra minha boca. - Você aguenta.
Eu não tinha certeza.
Mas quando tentei recuar, ele me puxou de volta, firme, decidido, já profundamente dentro de mim. Meu corpo reagiu antes da mente - se ajustando, cedendo, traindo qualquer hesitação.
- Devagar - rosnei, mais por orgulho do que por necessidade.
Ele sorriu. Aquele sorriso perverso.
- Agora é tarde, meu rei.
O ritmo começou lento, quase cruel na precisão. Cada movimento arrancava outro som da minha garganta, ecoando nas ruínas. A estátua quebrada observava. O céu trovejava.
Ele inclinou-se sobre mim, pressionando-me contra o altar.
- Olhe para o que está escolhendo - sussurrou.
Eu olhei.
E empurrei o quadril contra o dele em resposta.
Três meses antes..
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O Norte Da Queda: Ruínas do acaso
FantasyO reino o expulsou. O céu o condenou. Agora, apenas as ruínas e o tempo testemunham o que nem deuses ousam impedir. Um rei exilado, herdeiro de uma linhagem dourada. Um deus que renunciou às asas e abraçou o profano. Entre eles, há desejo. Há raiva...
