O sino da porta tocou.
Seungmin nem precisou olhar para saber que era mais um cliente.
A loja de celulares sempre ficava cheia no fim da tarde, e ele já tinha decorado cada som, cada rotina, cada pedido repetido.
— Já vou te atender! — disse, animado, enquanto terminava de alinhar algumas capinhas na prateleira.
Ele gostava daquele trabalho.
Mesmo sendo só um jovem aprendiz, se sentia útil. Gostava de explicar as funções dos aparelhos, ajudar idosos a mexer no WhatsApp, indicar carregadores...
Era simples.
Era confortável.
Quando se virou, viu o cliente parado perto do balcão.
Um garoto alto.
Cabelo escuro.
Roupas simples, mas bem escolhidas.
Expressão neutra, quase fria.
Ele segurava um celular.
— A tela quebrou — disse, colocando o aparelho sobre o balcão.
Seungmin pegou o telefone com cuidado.
— Nossa... caiu de muito alto?
— Talvez.
— Talvez? — Seungmin riu. — Isso aqui parece que brigou com o chão.
O garoto soltou um pequeno sopro de riso pelo nariz.
E foi aí que Seungmin percebeu.
Ele não parecia frio de verdade.
Só parecia... fechado.
Enquanto analisava o aparelho, algo chamou sua atenção.
Um adesivo pequeno, preto, colado atrás da capinha.
Seungmin congelou.
Ele conhecia aquele símbolo.
Era o logo do perfil mais famoso de edits literários da internet.
O criador que fazia vídeos com frases profundas e histórias curtas que sempre viralizavam.
Seungmin seguia há anos.
— Você gosta desse perfil? — perguntou sem pensar.
O garoto inclinou levemente a cabeça.
— Qual deles?
— Esse aqui — Seungmin virou o celular. — O que posta edits com trechos de livros... e escreve aquelas histórias virtuais.
Silêncio.
— Talvez eu conheça — respondeu o garoto.
Seungmin sorriu.
— Ele é incrível. Tipo... sério. Parece que ele escreve exatamente o que a gente sente.
O garoto observou Seungmin por alguns segundos.
Como se estivesse analisando cada palavra.
— Você lê tudo que ele posta?
— Tudo. — Seungmin riu. — Já chorei, já sorri, já fiquei pensando na vida por causa dele.
— Entendi...
O garoto apoiou o cotovelo no balcão.
— E o que você acha que ele é?
— Como assim?
— O criador.
Seungmin pensou um pouco.
— Acho que ele é... solitário.
— Solitário?
— É. — Seungmin deu de ombros. — As histórias dele sempre parecem escritas por alguém que sente demais... mas não fala muito.
O garoto desviou o olhar.
Por um segundo, sua expressão mudou.
Não era fria.
Era... tocada.
— Interessante — murmurou.
Seungmin voltou a sorrir.
— Bom, a troca da tela vai demorar uns dois dias. Pode deixar aqui.
O garoto assentiu.
— Tudo bem.
Ele hesitou antes de sair, como se estivesse pensando em algo.
Então estendeu a mão.
— Minho.
Seungmin apertou, sorrindo como sempre.
— Seungmin.
A mão de Minho era quente.
Firme.
Mas ele demorou um segundo a mais do que o normal pra soltar.
— Você trabalha aqui todos os dias? — perguntou Minho.
— Quase sempre. Por quê?
— Nada. Só curiosidade.
Minho pegou o comprovante e começou a se afastar.
Mas antes de sair, parou perto da porta.
— Seungmin?
— Oi?
— Você disse que ele parece entender as pessoas...
— O criador?
— É.
Minho abriu a porta.
O vento frio da rua entrou na loja.
— Talvez ele só esteja esperando alguém entender ele também.
E saiu.
O sino tocou de novo.
Seungmin ficou parado alguns segundos, sem saber por quê...
mas com o coração batendo estranho.
Ele olhou para o celular quebrado ainda sobre o balcão.
E só então percebeu.
O aparelho estava aberto na galeria.
E na tela rachada...
havia dezenas de arquivos.
Pastas.
Textos.
Capas.
E o nome do perfil famoso escrito no topo.
Seungmin engoliu seco.
— ...não pode ser.
Sem perceber, um sorriso nervoso apareceu em seu rosto.
Talvez aquela história tivesse começado ali.
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BOUND TO YOU
RomanceSeungmin sempre viveu uma vida simples: escola, trabalho como jovem aprendiz numa loja de celulares e sua educação impecável com qualquer cliente. Gentil demais, agitado demais... comum demais. Lee Know, por outro lado, é conhecido por milhares de p...
