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CAPÍTULO 1

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A caneca de madeira atingiu a mesa com força suficiente para fazer a cerveja escura transbordar pelas bordas, enquanto, do lado de fora, um trovão rasgava o céu como uma espada abrindo o ventre das nuvens.

Dentro da Taberna do Corvo Cinzento, ninguém comemorou.

Ninguém sequer levantou os olhos.

Porque todos estavam olhando para o mesmo homem.

Sentado sozinho perto da lareira, envolto pela penumbra alaranjada do fogo, Vander Walter girava lentamente uma adaga entre os dedos. A lâmina refletia as chamas em pequenos lampejos dourados enquanto riscava círculos sobre a mesa gasta.

Ele parecia não pertencer àquele lugar.

Nem àquele mundo.

A armadura negra descansava sobre o banco ao lado, ainda coberta de poeira e pequenas manchas de sangue seco. O casaco escuro escondia boa parte do corpo largo, mas não conseguia ocultar os ombros fortes nem as cicatrizes que escapavam pelo pescoço até desaparecerem sob a gola alta.

O silêncio ao redor dele era voluntário.

Ninguém queria provocá-lo.

Não porque Vander fosse conhecido por começar brigas.

Mas porque era conhecido por terminá-las.

- Aposto cinco moedas que ele matou outro hoje... - murmurou um homem bêbado, baixo o bastante para acreditar que não seria ouvido.

O companheiro engoliu seco.

- Cala essa maldita boca.

- O quê? Tô mentindo?

- Não... mas eu gosto de continuar vivo.

Os dois riram nervosamente.

Vander sequer piscou.

Continuou girando a adaga entre os dedos.

Uma.

Duas.

Três voltas.

Até que a porta da taberna se abriu com violência.

O vento frio entrou como uma avalanche, apagando algumas velas e fazendo as chamas da lareira dançarem.

Um cavalo relinchou do lado de fora.

As conversas morreram.

Um homem usando a capa azul-escura do reino entrou apressado. As botas estavam cobertas de lama, e gotas de chuva escorriam pelo tecido pesado até o chão.

O símbolo bordado em seu peito - um lobo branco cercado por flocos de neve prateados - denunciava sua origem.

Glacinia.

O mensageiro percorreu o salão com os olhos.

Não demorou para encontrá-lo.

- Vander Walter?

A adaga parou de girar.

Sem levantar a cabeça, Vander respondeu:

- Depende de quem pergunta.

O homem respirou fundo antes de aproximar-se.

Os clientes abriram espaço naturalmente.

Era curioso.

Até os mais valentes evitavam passar perto daquele soldado.

- Trago uma carta do Castelo Real.

Agora, sim...

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