A caneca de madeira atingiu a mesa com força suficiente para fazer a cerveja escura transbordar pelas bordas, enquanto, do lado de fora, um trovão rasgava o céu como uma espada abrindo o ventre das nuvens.
Dentro da Taberna do Corvo Cinzento, ninguém comemorou.
Ninguém sequer levantou os olhos.
Porque todos estavam olhando para o mesmo homem.
Sentado sozinho perto da lareira, envolto pela penumbra alaranjada do fogo, Vander Walter girava lentamente uma adaga entre os dedos. A lâmina refletia as chamas em pequenos lampejos dourados enquanto riscava círculos sobre a mesa gasta.
Ele parecia não pertencer àquele lugar.
Nem àquele mundo.
A armadura negra descansava sobre o banco ao lado, ainda coberta de poeira e pequenas manchas de sangue seco. O casaco escuro escondia boa parte do corpo largo, mas não conseguia ocultar os ombros fortes nem as cicatrizes que escapavam pelo pescoço até desaparecerem sob a gola alta.
O silêncio ao redor dele era voluntário.
Ninguém queria provocá-lo.
Não porque Vander fosse conhecido por começar brigas.
Mas porque era conhecido por terminá-las.
- Aposto cinco moedas que ele matou outro hoje... - murmurou um homem bêbado, baixo o bastante para acreditar que não seria ouvido.
O companheiro engoliu seco.
- Cala essa maldita boca.
- O quê? Tô mentindo?
- Não... mas eu gosto de continuar vivo.
Os dois riram nervosamente.
Vander sequer piscou.
Continuou girando a adaga entre os dedos.
Uma.
Duas.
Três voltas.
Até que a porta da taberna se abriu com violência.
O vento frio entrou como uma avalanche, apagando algumas velas e fazendo as chamas da lareira dançarem.
Um cavalo relinchou do lado de fora.
As conversas morreram.
Um homem usando a capa azul-escura do reino entrou apressado. As botas estavam cobertas de lama, e gotas de chuva escorriam pelo tecido pesado até o chão.
O símbolo bordado em seu peito - um lobo branco cercado por flocos de neve prateados - denunciava sua origem.
Glacinia.
O mensageiro percorreu o salão com os olhos.
Não demorou para encontrá-lo.
- Vander Walter?
A adaga parou de girar.
Sem levantar a cabeça, Vander respondeu:
- Depende de quem pergunta.
O homem respirou fundo antes de aproximar-se.
Os clientes abriram espaço naturalmente.
Era curioso.
Até os mais valentes evitavam passar perto daquele soldado.
- Trago uma carta do Castelo Real.
Agora, sim...
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Guardiã Da Princesa
FanfictionVander Walter jamais imaginou que sua missão mais difícil não seria vencer uma guerra, mas proteger uma única pessoa. Quando o rei Filipe descobre que sua filha, Ana, está sendo ameaçada por inimigos desconhecidos, ele entrega sua segurança ao mais...
