A solidão
Era uma linda noite. O vento estava a soprar,as árvores a se debaterem entre si e ela seguia em direção ao local.
Atravessou a rua,vazia,estranha, parecida com sua alma,que ela se perguntava se ainda a possuía ou se nunca a teve em toda a sua miserável e triste vida.
Os passos,apressados,ao se baterem com o asfalto,faziam barulhos eletrizantes,que ela nunca havia ouvido antes. No outro lado da rua,uma grande estrutura se colocava à sua frente.Era apenas uma escola,na qual ela estudava,mas agora parecia desconhecida,como uma outra dimensão,iluminada pelo luar da noite que nunca amanhecia.
Ela olhou para a escola,como se estivesse prestes a enfrentar um desafio que antes era impossível de ser enfrentado.O ódio guardado em seu coração já parecia explodir.Precisava sair,de alguma forma.
Seus passos continuaram,até se colocar em frente ao local. Ah,as memórias que vinham em sua mente eram tão vívidas que ela se perdeu no desconforto e esqueceu o presente. Os gritos,os risos,o peso da crueldade que estava sobre ela… Tudo a fazia querer desaparecer,como uma leve pétala de flor levada pelo vento.
Depois de tanto sofrimento guardado,ela queria apenas descansar.Descansar em um lugar maravilhoso,onde a confusão já não existia mais.O sofrimento e a tristeza seriam apenas animais extintos.
Entrou adentro. O lugar era escuro,sombrio e totalmente diferente do período diurno.Ah,a escuridão era tão atraente e tão,tão linda… As mechas loiras do cabelo da garota pareciam brilhar no escuro,como conjuntos de vaga-lumes a se espalharem em uma calma floresta. Seria isso ter uma alma? Um lugar tranquilo onde possa relaxar? Era sobre isso o que ela não sabia e vinha procurando respostas.
A garota subiu as escadas. Eram lindas,de uma beleza inimaginável,que pareciam levá-la até o paraíso,onde seria seu novo lar. Um lugar perfeito,lindo e oh,aquela beleza era indescritível. Ela subia,ofegante,parecendo ansiar por algo especial,grandioso.
Enfim chegou ao destino. Era maravilhoso,um lugar que revelava paisagens iluminadas pelo lindo luar e pelas estrelas,que brilhavam como piscas-piscas de Natal.
A garota avançou,tremendo inquietamente. O que ela pretendia fazer,afinal? Nem ela mesma sabia. Seus passos eram cuidadosos,como se estivesse em uma corda bamba. Se sentou na borda do prédio. As paisagens… Ah,que bonitas,que belas,pensava ela. Deitou sua coluna sobre o concreto frio,como seu coração,que já não era mais puro.
Era muito confortável ficar naquele lugar,onde ela podia apreciar a vista da cidade,que era escura àquela hora,mas parecia estar rodeada de pessoas. Pessoas que talvez não existissem? Pensava a garota.
Tirou uma ferramenta de dentro da roupa. Era uma espécie de canivete,que por ser tão brilhante,refletia o rosto da menina,que agora estava se enchendo de lágrimas.
Fez um leve corte em seu pulso. Ah,como eram lindos o sangue e a liberdade saindo do pedaço de pele machucado… O sangue escorria lentamente sobre o braço da garota,que agora já não sentia mais seu coração pesado.
O líquido caía sobre sua roupa da forma tão bela que a fazia sorrir. Parecia-se com uma chuva suave e gentil,que acalmava seu corpo com seu charme levemente obscuro. O sangue caía e ela sorria… Era um ciclo vicioso,mas letal.
Estava a pensar sobre a vida,o sofrimento e claro,suas decisões,o que a mais preocupava. Ah,lembrou daqueles pensamentos…Aqueles pensamentos incessantes,ameaçadores e que a faziam estremecer,como um gato abandonado em uma chuva violenta. O que eu devo fazer? Pensava ela,com certo desespero e ansiedade. Ela nunca sabia o que fazer. E nunca soube.
CZYTASZ
A dor do abismo
Dla nastolatkówUma garota cansada de sua vida resolve mudá-la,mas será que ela consegue fazer isso sozinha?
