Please don't be mad if I don't smile back, alright?
If I fuck up my words, don't think I'm absurd, alright?
Alright?
Eu só queria ir pra minha sala.
Só isso.
O corredor estava vazio.
A chuva batia forte nas janelas.
O estúdio estava silencioso demais pra uma noite de ensaio.
Eu olhei o número da porta errado.
E entrei.
A música já estava tocando.
Grave.
Lenta.
Pesada.
Hipnótica, até demais.
E então eu vi ela, Melissa.
Sozinha no meio da sala.
Dançando.
Mas não era dança comum.
Não era técnica pura.
Não era coreografia bonita.
Não era leveza.
Não era romantização.
Era presença.
Seu corpo estava falando com o meu? Devo está louco.
Tinha expressão.
intensidade.
verdade.
Ela se movia como se a música estivesse dentro dela.
Como se cada batida atravessasse a pele.
Como se o som comandasse os músculos.
Como uma oração puritana demais.
E então ela começou a cantar junto, com a música:
"Querido, você pode me encontrar hoje à noite na detenção?
Posso sentir sua pressão sanguínea subir, foda-se essa tensão
Me deixe rastejar até a sua mente, eu mencionei?
Fingir que está tudo bem, é detenção..."
Oh Deus, como você pode, Melissa.
Faça o que quiser de mim.
A voz dela não era alta.
Não era gritada.
Era baixa, quente, confiante.
Sensual sem esforço.
Sem vulgaridade.
Sem exagero.
Eu estava hipnotizado.
Qualquer ser vivo que visse aquela cena, eu admirando Melissa, acharia que estávamos cometendo atentado ao pudor.
Eu estou louco.
Cada movimento do corpo dela era intenso.
Quadril.
Ombros.
Pescoço.
Olhar.
Postura.
Respiração.
Tudo tinha significado.
Ela não estava tentando ser bonita.
Ela estava sendo verdadeira.
E isso era muito mais forte.
Então ela tentou algo novo.
Um passo diferente.
Mais lento.
Mais sensual.
Mais ousado.
Um movimento que parecia ter vindo da inspiração.
O corpo começou...
mas travou.
Me deixe te ajudar, eu imploro.
Ela tentou de novo.
Errado.
Tentou outra vez.
Não encaixava.
Ela parou, respirando forte, visivelmente frustrada.
E então soltou, em voz alta:
— Corpo, vê se me obedece pelo menos essa vez!
Raiva.
Frustração.
Verdade.
Humanidade.
Aquilo me fez sorrir sem perceber.
Porque até na raiva ela era intensa.
E pessoas intensas ganham meu coração.
E foi nesse momento que ela olhou.
E me viu.
Droga!!!
O susto foi imediato.
Eu congelei.
Meu cérebro simplesmente... desligou.
Ela parada no meio da sala.
Respiração acelerada.
Música ainda tocando baixo.
Chuva batendo na janela.
Espelhos refletindo tudo.
E eu ali.
Parado na porta.
Olhando.
Mudo.
Sem saber o que dizer.
Sem saber o que fazer.
Sem saber explicar.
Porque como você explica que entrou na sala errada
e ficou hipnotizado por alguém dançando? Isso com certeza parecia uma fanfic.
Ela me olhou.
Eu olhei pra ela.
Silêncio.
Um segundo.
Dois.
Três.
Meu coração disparou.
Eu senti meu rosto esquentar.
E fiz a única coisa que meu corpo conseguiu fazer:
eu saí.
Sem falar nada.
Sem pedir desculpa.
Sem explicar.
Sem justificar.
Só virei.
E fui embora pelo corredor.
Covarde.
Travado.
Desconfigurado.
Sem sistema operacional.
Enquanto andava, a única coisa que passava na minha cabeça era:
"Que dança é essa?"
"Que presença é essa?"
"Que energia é essa?"
"Que garota é essa?"
E dentro da sala, eu sei exatamente o que ela pensou.
Eu consigo imaginar o olhar dela.
A expressão.
O pensamento simples e direto:
"Que cara boboca."
E talvez eu seja mesmo.
boboca por ela.
Mas naquele momento...
Eu não fui embora por desprezo.
Fui embora porque fiquei impactado demais pra lidar.
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Is detention.
FanfictionUma sala errada. Uma música tocando. Um olhar inesperado. Música: Detention - Melanie Martinez 🎀 Todos os direitos reservados à artista. Obra citada apenas como referência/inspiração, sem fins lucrativos. 📸 Imagens/estética: Pinterest Créditos aos...
