Era o primeiro sábado do ano.
Felipe parou a moto no estacionamento de um mercado do bairro, seu estômago roncava - havia apenas tomado café e já eram mais de três horas da tarde. Ao descer da moto algo chamou atenção a sua esquerda, foi a primeira vez que a viu. Saindo do carro pelo lado do motorista, uma mulher desceu acompanhada de outro homem - talvez seu namorado.
Ela tinha a pele branca que contrastava com o cabelo escuro ondulado que batiam na cintura. Usava um top branco e uma calça de elástico azul, evidenciando o corpo curvilíneo - uma cintura minúscula comparada ao glúteo, quadril e coxas. Tinha olhos escuros e os lábios rosados.
Os seus olhos se encontraram por uma fração de segundos.
Felipe desviou o olhar e esperou entrarem no mercado para seguir atrás, ele apenas iria comprar um lanche para continuar trabalhando de moto Uber. Se encontraram novamente na padaria, ambos fazendo o que precisavam, mas parecia estar totalmente ciente de onde o outro estava.
Ele não criou muitas expectativas - além de ela estar acompanhada - ele estava com uma moto velha, roupas de segunda e não fazia o estilo dela. Era magro, sua pele parda queimada do sol, seu braço direito era fechado de tatuagens, um jogo de xadrez com palhaços demoníacos e frases de quebrada como "chora agora e ri depois".
Não se considerava feio de rosto, mas se achava muito magro.
Ignorou-os e seguiu para o caixa. Ela passou na sua frente indo guardar a cesta de compras enquanto o namorado estava no caixa, seus olhos a seguiram sem querer. Porém assim que percebeu que estava dando muita bandeira, se recompôs deixando seu rosto neutro. Focou na caixa que falava com ele, pagou rapidamente e saiu.
Felipe se pegou pensando se ela sabia que era muito gostosa, se tinha consciência que atraia olhares mesmo com a cara fechada. Na verdade, a face séria parecia lhe dar um charme a mais. Sentou-se na moto para comer seu salgado - havia pedido uma esfirra simples - comeu em bocados grandes e estava colocando seu capacete quando eles saíram e entraram no carro.
Curiosamente, ela que estava dirigindo. Ao manobrar a moto, precisou olhar para trás e a viu, de óculos escuros, no banco do motorista aguardando-o sair primeiro. Ligou a moto barulhenta e seguiu para o novo endereço que apareceu no aplicativo; ele foi para um lado e eles para o outro.
Focou no serviço. Mas sua mente lhe traia voltando ao curioso encontro.
Ponderou se falaria com ela se estivesse sozinha - claro, ele não era talarico. Apesar do seu esforço, se sentia agitado, nunca havia tido uma conexão à primeira vista daquela forma. Teorizou onde ela morava, se era de fato seu namorado, entre outras dúvidas por horas até se cansar e se recolher me sua insignificância.
Provavelmente nunca mais iria vê-la.
A noite estava fraca. Havia ganhado mais dinheiro de tarde do que agora, ficando mais tempo aguardando do que de fato fazendo viagens. Olhou no relógio, dez horas da noite. Iria se dar aquela noite de folga. Ligou a moto para retornar para casa quando uma solicitação de viagem tocou em seu celular, era ali perto. Decidiu que seria a última da noite. Vestiu o capacete e dirigiu até o destino.
...
Chegou a uma praça, no estacionamento de moto havia um homem em cima da moto e uma garota do lado. Quando estacionou a moto percebeu quer era a mesma garota que ela havia visto no mercado. Felipe não costumava ficar tímido perto de mulheres, no entanto, havia esquecido como se iniciava uma conversa simples.
- Uber moto - Soltou curto e grosso.
A mulher olhou feio para ele. Segurava um capacete nas mãos junto a uma bolsa preta, vestia jeans largo e uma camiseta de time curta, deixando aparecer sua cintura. Agora que ele pode olhar com mais atenção para seu rosto, ela tinha o piercing da Mearly Monroe - o que a fazia ter um ar sensual.
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Erotismo Brasileiro
RomanceContos eróticos com brasiliaridade. Somos intensos, por que no sexo seria diferente? Cada capítulo te convida para uma aventura sexual nos mais diferentes personagens e lugares.
