O céu desaba em um cinza familiar,
E o som das gotas no vidro
É o mesmo ritmo do meu pensar:
Um looping de "onde foi que eu me perdi?".
A chuva não limpa o caminho, ela o apaga,
Deixando apenas o rastro do que a gente era,
Enquanto o silêncio da sala me indaga
Se ainda existe lugar para mim na sua espera.
Olho para a tela fria, o brilho que não vem,
Buscando em fotos o que o tempo já levou.
Dizem que a chuva passa, que o sol convém,
Mas meu relógio, nesse adeus, simplesmente parou.
Ainda sou o mesmo, com os mesmos erros na mão,
Tentando decifrar como o "nós" virou "eu".
Será que o destino aceita uma negociação?
Ou o meu trevo de sorte de vez se perdeu?
Queria ser o riso que eu te dava antes,
Abrir as portas que o orgulho trancou.
Nesse dia chuvoso, somos dois distantes,
Mas meu coração ainda mora onde você ficou.
Deixe que a água leve as palavras que feriram,
E que o vento traga o caminho de volta ao cais.
Pois enquanto as nuvens lá fora não se retiram,
Eu sigo aprendendo que sinto sua falta... cada vez mais.
