O encontro.

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O Mundo Invertido respirava ódio.

Max sentia isso em cada passo, em cada batida acelerada do coração. O ar era pesado, vivo — como se observasse, julgasse, esperasse que ela quebrasse. As cicatrizes da quarta temporada ainda queimavam dentro dela, principalmente uma: Henry Creel.

Vecna.
O monstro.
O inimigo.

E agora... algo pior.

— Você não deveria ter vindo sozinha — a voz ecoou, profunda, venenosa e estranhamente calma.

Max girou o corpo, o taco improvisado firme nas mãos. Henry emergiu das sombras, mais humano do que da última vez — menos monstruoso, mais perigoso. Os olhos dourados a encaravam como se ela fosse um segredo que ele nunca conseguiu decifrar.

— Engraçado — ela cuspiu — você sempre diz isso... mas nunca me impede.

Um sorriso torto surgiu nos lábios dele.

— Porque você sempre volta.

Ele se aproximou. O chão parecia reagir a cada passo. Max sentiu raiva. Ódio.
E algo que ela odiava ainda mais: atração.

— Você destruiu tudo — ela disse, a voz tremendo — Matou pessoas. Machucou meus amigos.

Henry parou a poucos centímetros dela.

— E mesmo assim... — ele inclinou a cabeça — ...você sonha comigo todas as noites.

Silêncio.

Ele sabia.
Sempre soube.

Max ergueu o queixo, desafiadora.

— Isso não significa nada.

— Significa tudo — ele respondeu, a voz baixa, possessiva. — Eu estou dentro da sua mente, Max. Nenhum deles está.

O nome dela na boca dele soava errado. Íntimo demais.

Ela tentou recuar, mas o ar ficou denso, prendendo-a no lugar. Henry ergueu a mão, não para machucá-la — não agora — mas para tocar seu rosto. Os dedos dele eram frios, quase reverentes.

— Não encosta em mim — ela sussurrou.

— Você diz isso... — ele aproximou o rosto do dela — ...mas seu coração está implorando o contrário.

Max sentiu o peito apertar. O poder dele reagia às emoções dela, como sempre. Raiva, medo, desejo — tudo misturado, perigoso.

— Você é doente — ela disse.

Henry sorriu. Um sorriso escuro.

— E você gosta disso.

Ela o empurrou, finalmente conseguindo se mover.

— Eu jamais ficaria do seu lado.

O olhar dele escureceu. O chão tremeu levemente.

— Não — ele corrigiu — mas você também não ficará do lado de mais ninguém.

Max engoliu em seco.

— O que isso significa?

Henry se aproximou de novo, agora com ciúmes claros, quase animalescos.

— Significa que se alguém tentar te tocar... — a voz dele ficou mortal — ...o Mundo Invertido vai engolir essa pessoa viva.

Ela sentiu um arrepio percorrer a espinha.

— Você acha que pode me possuir? — ela provocou, mesmo com medo.

Ele segurou o pulso dela, firme, mas sem machucar.

— Eu já possuo — ele sussurrou — só estou esperando você admitir.

Os olhos deles se encontraram. Ódio e desejo colidindo. Luz e trevas.
Max deveria fugir.

Mas, em vez disso...
ela não soltou o pulso dele.

E Henry percebeu.

O sorriso dele foi lento. Vitorioso.

— Bem-vinda ao inferno, Max Mayfield.

E, pela primeira vez...
ela não tinha certeza se queria sair.

Entre a Ruína e o DesejoStories to obsess over. Discover now