Estou correndo.
Minhas pernas tremem, e é como se meus sentidos estivessem sendo sugados pela criatura que me persegue. Tento olhar para trás, mas algo dentro de mim, um instinto primitivo, não permite.
Escuto batidas.
Elas ficam cada vez mais fortes.
Tento acordar, mas não consigo.
Então escuto meu nome sendo chamado, alto e claro.
Naery.
Acordo de supetão, puxando o ar com dificuldade, o coração disparado no peito. Levo alguns segundos até perceber que estava apenas sonhando.
Na minha porta estava o guarda Tunox me chamando.
Princesa Naery, ele continuava a chamar.
Abro a porta.
Princesa, ele fala.
Percebo que estou pingando suor. Talvez por isso ele me encara daquele jeito.
Seu irmão, o rei Albon, está convocando você para a sala de reuniões, ele diz.
Assinto em silêncio, fecho a porta atrás de mim e sigo para me arrumar. Albon detesta atrasos, mas terá de esperar. Eu precisava de um banho.
Quebra de tempo.
Escolho um vestido leve, verde, com detalhes na cauda. A cor combina perfeitamente com meus cabelos ruivos. Após me arrumar, saio apressada e sigo pelos corredores do castelo em direção à sala de reuniões.
Entro.
Todos os sete lugares estão ocupados, exceto o meu.
Os conselheiros do meu querido irmão já estavam lá.
Idiotas, como sempre.
Está atrasada, Albon diz.
O treino demorou hoje, falo a primeira coisa que me vem à mente enquanto sigo em direção ao meu lugar.
Engraçado, porque o seu professor comunicou que você não compareceu ao treino hoje.
É claro, aquele fofoqueiro do Kiro me odeia. Ele complica minha vida desde pequena.
Bom, a reunião não deve ser sobre onde eu estava, não é mesmo? Eu respondo.
Mais respeito ao seu rei, princesa, diz o conde Javir.
Antes que eu possa retrucar, meu irmão me corta.
Ele começa a falar. O esquadrão de espiões da nossa elite, enviado ao reino Alchemy, trouxe informações. Segundo eles, o reino está procurando as armas ancestrais.
Isso é uma lenda boba, diz Chavier, comandante da divisão de soldados do reino.
Toda lenda tem um fundo de verdade, eu digo.
Seja lenda ou não, se eles estão atrás disso, então possuem alguma informação, diz meu irmão.
Então devemos observá-los mais de perto, afirma o conde Javir.
Poderíamos fazer um dos nossos espiões se infiltrar na guarda deles, eu sugiro.
Ou criar uma situação em que eles acreditem que vamos aceitar a aliança de comércio, diz o mestre Aleion.
Isso não garante que eles repassariam informações sobre as armas ancestrais, diz Marce, comandante das estratégias.
Marce tem razão, diz o rei.
Talvez possamos usar a nossa melhor arma, diz Marlon, lorde do centro. Ele continua. Ninguém desconfiaria de uma proposta de casamento entre os dois maiores reinos, Alchemy e Sunflower. A princesa seria a nossa melhor chance.
Não. Isso nunca daria certo. Sabemos que o rei de Alchemy jamais se casaria comigo, alguém do reino Sunflower. Além disso, os boatos dizem que ele é cruel com qualquer um que tente se aproximar dos assuntos de seu reino.
Ele não é mais cruel do que você, irmã, Albon diz.
Está na hora de você ajudar o seu reino, diz meu irmão.
Você sabe que eu morreria pelo meu reino. É para isso que eu treino, para ser a melhor.
Então o assunto está encerrado, Albon diz.
Tento falar, mas não tenho tempo.
Quero que vocês tentem contato e façam a proposta ao rei Cyrus de Alchemy, ele diz aos comandantes.
Sim, meu senhor, respondem Marce e Chavier.
Todos começam a sair.
Tento alcançar meu irmão.
Albon.
Ele continua andando e diz que o assunto está encerrado.
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A princesa espiã
FantasyUma princesa, um reino em risco e uma missão envolta em mentiras. Entre aparências frágeis e perigos ocultos, o destino de muitos reinos pode depender de alguém que jamais deveria ser subestimada.
