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Houve um tempo em que acordar cedo me parecia atraente, ter tempo para todos os hobbies perdidos durante os anos, fazer café e pegar sol sem se preocupar com a violência dos raios UV.

Há muito tempo, claro.

Infelizmente não é algo que me atrai atualmente e, principalmente, aos finais de semana em que meus turnos só se iniciam após o pôr do sol. Não conseguia nem mesmo fingir chateação por acordar às 15 horas pronto para mais um domingo: almoço rápido, duas horas de transporte público e início do turno no bar.

Com o típico movimento de um fim de semana, eu estava atrás do balcão fazendo a limpeza para iniciar mais uma rodada de drinks.

Apesar de ser barman e sorrir para todos esperando uma farta gorjeta, esse nunca foi meu habitat natural.

— Esse whisky e o seu sorriso de mais-gorjeta-por-favor estão competindo para primeiro lugar em melhor falsificação. — Jeno me apontou a garrafa sorrindo como o grande idiota que sempre foi.

Nunca consegui entender como alguém financeiramente estável se sujeitava a trabalhar aos finais de semana apenas por diversão, mas melhores amigos são feitos para apoiar. Entender é função extracurricular.

— Essa bancada e você também estão competindo. Primeiro lugar de quem consegue torrar o meu juízo primeiro.

Jeno apenas riu, colocando a garrafa na prateleira e se retirando para a área de funcionários. Como amigo, eu o adorava. Como seu colega de trabalho, entendi que toda sua atenção estava sempre em Jaemin. Ele poderia decorar tudo e qualquer coisa sobre Na Jaemin e suas necessidades, mas misturava uma bebida barata com as garrafas caras.

Isso sempre rendia uma bronca no fim do expediente. E eu sempre estava lá, esperando-o para ir embora.

Coloquei a bebida barata com as outras e segui limpando o balcão.

Quando Jeno voltou da área de funcionários, havia alguns drinks prontos para serem levados para suas respectivas mesas. O movimento havia aumentado significativamente, como o esperado.

— Os dois negronis e a caipirinha de maracujá para a mesa três, whisky duplo para a mesa seis. — Despachei os drinks iniciando o preparo de dois martinis.

— Positivo, capitão!

Estava tão focado em dar as 50 voltas no copo de mistura que não percebi quando um garoto se sentou na minha frente. Meio mole, se apoiando, claramente bêbado demais.

Um típico domingo.

— Por favor, me diz que esse Helena no seu braço é referência ao My Chemical Romance e não o nome de alguma ex. — Disse a voz a minha frente em um tom doce demais para os meus ouvidos.

Levantei o olhar porque ninguém nunca havia chutado de cara a banda emo quando o assunto era a minha tatuagem logo abaixo do bíceps braquial. Ele era atraente, mas comum, nada da estética alternativa da qual eu esperava uma sacada dessas.

Camiseta branca com estampa de algum cantor que eu não conhecia, contudo poderia chutar rapper pela estética, jaqueta de couro e uma calça preta.

— Na verdade, é o nome da minha namorada. — Respondi mantendo a seriedade enquanto mentia descaradamente para o desconhecido.

Vi seu sorriso mole sumir.

— Maldita Helena, é uma mulher de muita...

— É brincadeira, é referência ao MCR sim. — Precisei cortá-lo, abrindo um pequeno sorriso.

Quando Nós Éramos AmigosStories to obsess over. Discover now