Cansado de séculos de guerras, perdas e de uma eternidade que nunca lhe concedeu descanso, Klaus Mikaelsson decide mergulhar em um sono profundo. Um afastamento do mundo, dos inimigos e até de si mesmo. Para um híbrido imortal, dormir não é fraqueza...
Mystic Falls tinha um talento peculiar para atrair problemas antigos. Alguns vinham disfarçados de lembranças. Outros, de pessoas que deveriam ter ficado no passado. Damon Salvatore estava no Mystic Grill fazia tempo demais. O copo de bourbon já tinha sido reabastecido mais de uma vez, e ainda assim o tédio continuava ali, grudado nele como uma maldição irritante. Ele estava prestes a pedir outro drink quando sentiu. Aquela presença. Antiga. Pesada. Dominante. — Você ainda bebe como se estivesse tentando esquecer o mundo inteiro? A voz surgiu atrás dele, baixa e carregada de ironia. Damon fechou os olhos por um segundo, respirando fundo, antes de se virar lentamente. — Klaus Mikaelson — disse, analisando-o de cima a baixo. — Mystic Falls realmente perdeu o controle de quem entra aqui. Klaus sorriu. Um sorriso perigoso, daqueles que nunca significavam nada de bom. Ele deu alguns passos à frente, sem se preocupar com espaço pessoal ou com o aviso silencioso no olhar de Damon. — Confesso que vim por curiosidade — respondeu. — Queria saber se você ainda tem esse mesmo olhar… como se estivesse sempre pronto para atacar ou fugir. — E você sempre achando que sabe ler as pessoas — Damon rebateu, erguendo uma sobrancelha. — O que quer, Klaus? Klaus apoiou o braço no balcão, próximo demais. Damon podia sentir o peso daquela presença, como se o ar tivesse ficado mais denso. — Talvez eu só quisesse ver você — disse com naturalidade demais. — Ou talvez eu esteja entediado. Ambas as opções são perigosas. Damon riu, um riso curto e cético. — Você aparece depois de anos e espera que eu acredite que isso é só tédio? Klaus inclinou a cabeça, observando cada reação, cada microexpressão. — Acredito que você goste quando eu apareço — murmurou. — Você finge desprezo, mas não se afasta. Curioso, não? Damon sentiu o maxilar se contrair. — Não confunda curiosidade com interesse. — Ah… — Klaus sorriu ainda mais — eu jamais confundiria isso. Ele se aproximou um pouco mais, a distância agora perigosamente pequena. Não tocou, mas não precisava. A tensão falava por si. — Você continua sendo uma péssima influência — Damon disse em tom baixo. — Onde você passa, tudo vira caos. — E você continua fingindo que não gosta disso — Klaus respondeu, os olhos claros presos nos azuis de Damon. — Mas eu vejo. Você é feito de caos também, Damon Salvatore. Apenas usa sarcasmo para disfarçar. Por um momento, nenhum dos dois falou. O bar parecia distante demais, irrelevante demais. — Se veio aqui para provocar — Damon quebrou o silêncio — parabéns. Conseguiu. Agora pode ir embora. Klaus não se moveu. Pelo contrário, pegou um copo vazio e fez sinal para o barman, como se já tivesse decidido ficar. — Não ainda — disse calmamente. — A noite está só começando… e você parece menos disposto a me expulsar do que gostaria de admitir. Damon desviou o olhar por um segundo, irritado consigo mesmo. — Você gosta de testar limites — disse. — Gosto de descobrir quais realmente existem — Klaus respondeu. — Especialmente os seus. Ele deu um passo para trás, finalmente criando distância, mas o sorriso permaneceu. — Não se preocupe — completou. — Eu não vim roubar nada de você. Ainda. Damon o encarou, desconfiado. — “Ainda” nunca é uma palavra tranquilizadora quando sai da sua boca. Klaus ergueu o copo em um brinde discreto. — Nos veremos novamente, Damon. Querendo você ou não. E quando Klaus se afastou, Damon percebeu algo que odiou admitir: o bar parecia vazio demais sem ele
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