Capítulo 1

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1 mês atrás

- Mas que porra...

Eu nem tive o prazer de engolir a primeira garfada de bolo do meu aniversário quando as três fotos que recebi de um número desconhecido terminaram de carregar.

Começou com a primeira foto, e um gelo subiu pelo meu peito me fazendo parar de respirar. Foi como se o meu corpo tivesse entendido tudo antes que a minha mente pudesse concluir o raciocínio.

Depois veio outra foto, mas ela demorava para carregar completamente, me deixando ansiosa e fazendo o sangue no meu rosto ferver. Quando finalmente carregou, eu precisei dar zoom na tela com os dedos pra ter certeza do que estava vendo. E mesmo assim, eu me recusei a acreditar naquelas imagens e a fazer qualquer associação com a realidade.

E então veio a terceira foto. E o rosto nela estava tão nítido que senti que não havia nenhum chão sob os meus pés. Que eu estava apenas à deriva. Que não só havia sido muito ingênua, como também fui otária e a piada favorita de alguém.

As lágrimas chegaram mais rápido aos meus olhos do que meu cérebro era capaz de trabalhar.

Em um instante todas as peças se encaixaram na minha cabeça, como se todas as suspeitas que tive nos últimos 6 meses se materializasse em uma única verdade absoluta e universal. Eu estava paralisada fitando a terceira foto por trás da camada de lágrimas que embaçava a minha visão. O rosto na foto que para mim era tão familiar, de repente, em uma questão de segundos se tornou irreconhecível.

Laura deu a volta por trás de mim, vendo por cima dos meus ombros a foto no meu celular.

Alice, que estava do meu lado na mesa de jantar do meu apartamento se servindo distraidamente de um pedaço de bolo de nozes, só precisou esticar o pescoço em um movimento simples e despretensioso.

Ambas arregalaram os olhos e levaram as mãos à boca. Mudas. Tão mudas quanto eu, que não consegui formar nenhuma palavra pelos próximos segundos que se seguiram. Não consegui fazer meu cérebro trabalhar rápido o bastante para formar nenhuma sentença.

Elas olharam imediatamente para ele, sentado no sofá, digitando casualmente alguma mensagem no celular e tomando a terceira cerveja tranquilamente ao lado de Eric, sem sequer notar a mudança do clima à sua volta.

Acho que nunca senti tanto ódio, ciúme e violência de uma só vez quando vi seus lábios formarem um sorriso para a tela do celular. Nunca fui uma pessoa ciumenta, mas ao ver aquele sorriso no exato momento em que o meu mundo havia se partido em dois, fez minhas lágrimas jorrarem com mais força.

Eric olhava para mim, para sua namorada Laura e para Alice de sobrancelhas franzidas, sem entender nada.

Deve ter sido algo na minha expressão que o alarmou o suficiente, pois já estava se levantando cautelosamente, percebendo que havia algo errado e seguindo os nossos olhares até ele.

Até Benjamin.

Aquele filho da...

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Agora

- Clarinha, a Samantha está cobrando a diagramação do livro dela. De novo. - Diz Alice ao colocar o telefone fixo no gancho.

Alice é muito simpática, infelizmente por ser simpática ela é aquela para quem os clientes ligam para reclamar de alguma coisa. Várias vezes brinco dizendo que ao invés de capista, ela deveria se tornar recepcionista da Ex Libris. Inevitavelmente, ela acaba sendo também a portadora dos recados dos escritores com quem trabalhamos. E quando ela arrasta a cadeira de rodinhas para o meu lado, se torna sendo o alvo do meu desabafo.

Depois da TraiçãoStories to obsess over. Discover now