Prólogo

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Há muitos anos atrás, quando Ísis terminava o ensino médio, ela não sabia o que queria fazer. A vida dela e de sua família estava uma confusão, principalmente com a morte do pai, Humberto.

Mas tudo mudou quando ela começou a desenhar, a se interessar por costura, roupas e modas. Ela sempre rabiscou desenhos, mas nada como nos seus 17 anos; parecia um dom do seu inconsciente. Ao longo das semanas, seu interesse por essas área foi crescendo, até que descobriu que era isso que queria, era isso que nasceu para fazer.

Foi se preparando, se acostumando em usar a máquina de costura, o lápis, as agulhas, os moldes e fez até a faculdade de moda. Mas, aquela Ísis de 17 anos jamais imaginaria que 11 anos depois estaria abrindo seu próprio ateliê chamado Lavanda.

Um nome peculiar, diferenciado. Sempre gostou do cheiro da flor Lavanda seja em amaciantes, incensos, perfumes... E achava a cor da Lavanda - que é esse roxo, lilás - chique, simples, bonito e feminino. Feminino; essa é uma palavra importante na trajetória de Ísis, que sendo mulher e convivendo com muitas mulheres, queria criar roupas para mulheres, femininas, mas sem cair em clichês. Também pelo significado e simbologia da Lavanda em si: de paz, simplicidade, calma, lealdade, purificação. Coisas que ela sentia projetando e fazendo roupas, um reflexo dos seus sentimentos, algo que a fazia muito bem, passando de hobbie para trabalho.

Só que ao longo dos anos, até mesmo na faculdade ou em trabalhos em outros ateliês e marcas, ela descobriu que as coisas não são tão fáceis assim, o que piorou um pouco ao criar o seu próprio canto. Nesse período, a vida da Ísis vai virar tudo, menos com paz, calma, tranquilidade (coisas que eram o que ela mais prezava e sentia prazer fazendo seu trabalho).

Suas criações em si são simples, etéreas, elegantes, femininas e passam esse ar onírico, às vezes de contos de fadas, o que é muito diferente da Ísis de hoje em dia que passou por muita coisa, amadureceu cedo demais para cuidar dos seus irmãos mais novos, e precisou sacrificar um pouco da sua feminilidade para a ser mulher de negócios, para fazer dar certo. Por isso há uma discrepância entre a estilista e seu trabalho, suas criações; quem ela é e o que as roupas dizem, o que as peças passam.

Isso quer dizer que de alguma forma, ela ainda é aquela menina, que essa feminilidade ainda existe dentro dela e isso não é uma coisa ruim, só que uma hora ela precisará enfrentar.

Não só ela, mas toda sua família vai precisar descobrir quem é também, enfrentar seus próprios traumas do passado. Mas o que todos irão aprender em comum é que feminidade não é fraqueza, é força.

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