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Pov: Lamine

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Pov: Lamine

A foto ainda nem tinha completado uma hora no ar quando o telefone começou a tocar.

Uma vez.
Duas.
Três.

Empresário.
Assessor de imprensa.
Alguém do clube.

Suspirei fundo antes de atender.

"Lamine," a voz do meu empresário veio controlada demais.
"A postagem foi bonita. Verdadeira. Mas precisamos conversar."

Eu já esperava.

"Ela tá mexendo em narrativas que não controlamos," ele continuou.
"Patrocinadores gostam de estabilidade. De foco. Não de drama."

Olhei para Lily, sentada no sofá, abraçando os próprios joelhos.
Ela não disse nada.
Mas eu vi o peso cair sobre ela.

"Então a solução era ficar calado?" perguntei.
"Deixar inventarem coisas?"

Silêncio do outro lado.

"Não," ele respondeu.
"Mas tudo que você faz agora tem impacto multiplicado. Você deixou claro. Isso é bom. Só... tem consequências."

No dia seguinte, fomos ao clube.

Nada formal demais, mas sério o suficiente.
Uma sala limpa, café intocado, olhares atentos.

O diretor de comunicação falou primeiro.

"Não houve erro da sua parte," disse.
"Mas quando o futebol se cruza com entretenimento, tudo vira manchete. Precisamos proteger você."

"E a Lily," acrescentei.

Ele assentiu.
"Especialmente ela."

Explicaram protocolos.
Orientações.
Sugestões disfarçadas de conselhos.

— Evitar eventos mistos por um tempo
— Menos exposição pessoal
— Stories mais neutros
— Nada que alimente narrativas paralelas

Não era censura.
Era estratégia.

Mas estratégia também cansa.

Mas estratégia também cansa

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Pov: Lily

Eu nunca pedi isso.

Nunca quis reuniões, nem olhares calculados, nem gente analisando meu impacto na carreira de alguém que eu amo.

Enquanto eles falavam, eu pensava:
Será que eu virei um risco sem perceber?

Quando saímos da sala, Lamine percebeu meu silêncio.

"Ei," ele disse, parando no corredor.
"Olha pra mim."

Levantei o olhar.

"Se em algum momento isso ficar pesado demais pra você..." comecei.

Ele me interrompeu imediatamente.

"Não."
Firme. Sem hesitar.
"Não faz isso. Não transforma amor em problema."

Segurou meu rosto com cuidado.

"O mundo vai tentar nos organizar em planilhas, Lily. Mas você não é um dano colateral da minha carreira."

Respirei fundo, sentindo os olhos arderem.

"Eu só não quero ser o motivo de algo dar errado pra você."

Ele encostou a testa na minha.

"Você é o motivo de eu aguentar quando tudo dá errado."

Mais tarde, outra ligação.

Um patrocinador pediu "alinhamento de imagem".
Outro adiou uma campanha.
Nada perdido.
Mas nada intacto.

Era assim que funcionava.

Nada explode de uma vez.
As coisas apenas mudam de lugar.

Naquela noite, deitados lado a lado, ninguém mexia no celular.

"Você se arrepende?" perguntei baixinho.

Lamine pensou por alguns segundos.

"Não."
Depois completou:
"Só estou aprendendo que crescer também é escolher o que vale o risco."

E eu soube.

A batalha agora não era contra boatos.
Era contra um mundo que queria nos separar com luvas de veludo.

Era contra um mundo que queria nos separar com luvas de veludo

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