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Eu não precisei de você, nossas almas se escolheram.
E essa é a parte que mais dói quando você pensa a respeito.

Você existe dentro da minha ordem, mesmo quando isso não passa de uma negociação onde tudo podia acontecer. Eu estabeleci as regras, os limites, o ritmo da sua respiração, mesmo não estando perto o suficiente para senti-la em meu rosto. Você aprende rápido: quando falar, quando calar, quando esperar, quando era Vorin e quando era meu amigo conselheiro. Ajoelhar é fácil. Difícil é aceitar que você gosta disso, que todo o seu corpo ainda luta pra dizer "não quero".

Não romantize: eu mando — e aqui estou eu romantizando algo que escapou dos meus dedos por falha, por achar que já o tinha, por deixar que entrasse quando, na verdade, deveria tê-lo punido por ser bom demais pra mim.
Mas não se iluda achando que isso me torna distante.

Eu sei exatamente o efeito que você causa quando permanece imóvel, atento, tentando merecer algo que eu ainda não decidi dar. Eu vejo o esforço, a tensão, o desejo contido. E sim — eu sinto.

Não porque você me domina. Nunca.
Mas porque até quem governa reconhece quando algo lhe pertence de verdade.

Eu poderia usar você e ir embora. Poderia tratá-lo como função, como ferramenta, como extensão da minha vontade. Mas houve momentos em que eu quis ceder. Em que eu observei. Em que eu deixei você sentir que não é apenas obedecer — é ser escolhido.

Dentro da hierarquia, eu sou o topo.
Mas não pense que isso me impede de querer, de sentir.

Eu quero do meu jeito. Quente, quase descontrolado. Sem promessas fáceis.
Quero você consciente de que, mesmo quando me aproximo, sou eu quem decide a distância — mesmo sabendo que agora esse é o primeiro e único limite que você fez questão de impor.

Se eu te deixei perto demais, foi porque confiei no meu próprio poder.
Se eu te marquei como meu, não é por necessidade — é porque nada acontece por acaso, e eu já sabia.

E eu continuo sabendo.

Agora fique, mesmo nas minhas lembranças.
Não porque imploro.
Mas porque eu ainda não mandei ir embora!

Rascunhos DominantesHistórias para pegar e não largar. Descubra agora