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O restaurante de luxo não era apenas um lugar para refeições

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O restaurante de luxo não era apenas um lugar para refeições. Era um palco onde sussurros valiam mais do que palavras ditas em voz alta, e onde o tilintar de taças escondia ameaças, acordos ilegais e promessas que jamais seriam cumpridas.

Homens de terno escuro, relógios caros e sorrisos sem emoção ocupavam as mesas mais afastadas. Ali, negócios não eram assinados em papel. Eram selados com olhares, silêncios e copos de uísque servidos sem perguntas.

Naruto Uzumaki estava acostumado com aquele ambiente.

Ele se sentava de forma displicente, o corpo relaxado demais para alguém que comandava um dos maiores impérios do submundo. A camisa escura aberta no primeiro botão, o paletó jogado sobre os ombros, os dedos girando lentamente o copo de uísque. O gelo batia nas laterais do cristal como um aviso contínuo: calmo por fora, letal por dentro.

Seus homens ocupavam mesas próximas, discretos, atentos. Onde Naruto estava, o perigo sempre existia.

Ele não estava ali por acaso.

Do outro lado da mesa, um político falava demais e tremia demais. Suava no colarinho, gaguejava, tentava parecer confiante enquanto empurrava um envelope pardo com documentos falsificados.

— Isso… isso garante a passagem segura — murmurou o homem, sem coragem de sustentar o olhar.

Naruto não tocou no envelope.

Apenas inclinou levemente a cabeça, observando-o com olhos tão frios quanto o vidro do copo em sua mão.

— Se você mentir… — a voz de Naruto era baixa, quase preguiçosa — …não vai haver passagem nenhuma.

O homem engoliu em seco.

O acordo estava feito.

Nada mais o interessava naquela noite.

Decidido a encerrar a reunião, Naruto se levantou, caminhando pelo salão com passos firmes e silenciosos. Cada funcionário sabia exatamente quando desviar o caminho. Cada cliente reconhecia, mesmo sem saber seu nome, que aquele homem não deveria ser desrespeitado.

Mas foi então que ele a viu.

Ela estava perto de uma das mesas centrais.

E tudo ficou em silêncio.

Não o silêncio do restaurante.

O silêncio dentro da sua cabeça.

Hinata.

Ele não sabia seu nome.

Ainda não.

Mas ela estava ali, vestindo um vestido simples demais para aquele lugar — azul claro, delicado, como o céu antes de uma tempestade. As mãos pousadas suavemente sobre a mesa, os dedos entrelaçados sobre o colo. Os olhos claros, tímidos, pareciam deslocados daquele ambiente carregado de intenções escuras.

Ela sorria.

Não para ele.

Para ninguém em especial.

Talvez sorrisse para seus próprios pensamentos.

E aquele sorriso…

Quebrou algo que Naruto não sabia que ainda existia dentro dele.

Ele parou.

Literalmente parou.

Seus homens estranharam. O movimento do salão pareceu desacelerar ao redor. Mas ele não via mais nada além dela.

O jeito como ela abaixou o olhar.

Como mordeu levemente o lábio ao ler o cardápio.

Como parecia pertencer a um mundo onde as pessoas ainda confiavam.

Aquilo não era normal.

Aquilo era… errado.

Ela não deveria estar ali.

Não naquele mundo.

Não tão perto dele.

Algo dentro de Naruto se contorceu.

Um sentimento desconhecido, quente e perigoso.

Posse.

Curiosidade.

Fome.

— Quem é ela? — murmurou ele, sem tirar os olhos da figura delicada.

Um de seus homens, Shikamaru, se aproximou discretamente e seguiu a direção do olhar do chefe.

— Não faz parte do nosso círculo — respondeu em voz baixa. — Parece… comum.

Comum.

A palavra ecoou em sua mente.

“Comum” não sobrevivia por muito tempo perto de homens como ele.

Hinata se levantou da mesa, ajeitando o vestido, e caminhou lentamente até o banheiro feminino. Seus passos eram leves, quase tímidos. Mas para Naruto, cada movimento dela era como uma assinatura na própria alma.

Ele a seguiu.

Não com os pés.

Com o olhar.

Com a mente.

Com algo muito mais perigoso.

Naruto não era o tipo de homem que se apaixonava.

Ele possuía.

Desejava.

Tomava.

E naquele instante, enquanto observava a porta do banheiro fechar atrás dela, ele entendeu algo que jamais quis sentir:

Ela já estava marcada.

Mesmo sem saber.

Mesmo sem pedir.

Ela já era dele.

Ele voltou à sua mesa lentamente, mas não retomou o copo. O gelo havia derretido. Assim como alguma parte da frieza que sempre o acompanhara.

Do outro lado do salão, Hinata retornou. Olhou em volta por um segundo. Seus olhos passaram por ele. Não pararam.

Mas o coração de Naruto parou.

A partir daquela noite, ele não dormiria mais como antes.

Não respiraria como antes.

Não pensaria como antes.

Porque ele havia encontrado algo muito mais perigoso que qualquer inimigo.

Ele havia encontrado sua obsessão.

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Vestido que Hinata usava

Vestido que Hinata usava

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