Prólogo

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​Em uma antiga ponte que aparentava ser do século XVIII, em uma noite fria, úmida e de forte ventania, vinha acompanhada por uma densa névoa e uma intensa tempestade. Ali, uma garota observava o movimento das ondas se quebrando nos destroços do muro de um castelo que muitos diziam ser mal-assombrado.

​Seu corpo bem delineado estava coberto por um longo vestido preto rendado, que ao ser agitado, parecia dançar no ar. Seu cabelo, negro como uma noite sem luar, voava livremente, fazendo-a assemelhar-se a uma obra de arte. No entanto, algo a estava perturbando, algo que já não lhe parecia certo.

​A poucos metros de onde a garota estava, um rapaz de boa aparência emergiu de dentro de uma floresta escura e fria. Ele parecia assustado, confuso, e com os pensamentos a mil. A única coisa que poderia resolver tudo isso, ele acreditava, era aquela garota.

​Sem hesitar, ele foi ao encontro dela, com a esperança de que ela pudesse solucionar todos os problemas que o atormentavam, ou, quem sabe, lhe dar alguma direção.

​- Que bom que você veio - falou a garota, virando-se em sua direção, com um leve sorriso no rosto que subitamente desapareceu. - Você é tão fraco... Por sua causa, tudo isso aconteceu. Tudo saiu do controle.

​- Como por minha causa? Como eu sou o motivo? Por que você está me culpando por algo que eu nem sequer sei o que é?

​A garota se aproximou dele, a ponto de um sentir a respiração do outro.

​- Porque você não é um ser humano normal. Você sabe disso, e nós também. Mas eu irei pôr um fim nisso, hoje e agora.

​Com um abrir e fechar das mãos, a garota fez surgir do solo raízes negras que foram na direção dele, envolvendo-o como um predador caçando sua presa. Elas o deixaram imóvel, esperando apenas uma ordem da garota para acabar com a vida dele.

​- Por que você está fazendo isso comigo?

​As raízes apertavam cada vez mais o seu pescoço, sufocando-o totalmente.

​- Não era para você estar vivo - ela falou com desprezo. - Era para você ter morrido desde o seu nascimento, mas, como todas as vezes, você dá um jeito de escapar do seu fim lento e doloroso.

​Um enorme clarão atingiu a garota, fazendo-a voar por vários metros. O impacto fez com que ela perdesse a concentração no que estava fazendo, e as raízes recolheram-se ao seu lugar de origem, libertando o rapaz.

​Agora, ele poderia ir para casa, onde talvez estivesse seguro. Mas ele não queria. Sabia que, no fundo, ele tinha que lutar contra quem quer que tivesse lançado esse ataque nela. Tinha que fazer algo a respeito!

​ Por um momento, pensou em ir até ela, ajudá-la, ver se estava tudo bem, mas precisava enfrentar quem quer que tivesse lançado aquele poder estrondoso. Olhou para trás, para a pessoa que tinha atingido a garota, e notou que o agressor não era um desconhecido: era alguém que, há poucos minutos, o estava enforcando com raízes, desejando sua morte. Sem acreditar no que via, ele voltou os olhos para a garota, que agora estava se erguendo depois do golpe que acabara de receber.

​Ele encarou seu oponente.

​- Como isso é possível? - Olhou para a garota. - Afinal, quem realmente é você?


ENTRE MUNDOS - Sussurro das sombras - Historias para obsesionarse. Descúbrelo ahora