O zumbido monótono do motor do ônibus é uma cantiga de embalar para o resto dos passageiros, um som contínuo que preenche o espaço vazio entre as conversas abafadas e o ranger dos freios. Liam está encolhido no seu assento, a janela embaciada a seu lado revelando apenas borrões de paisagem que passam numa velocidade sonolenta. Ao seu lado, Clara, sua amiga da faculdade, dorme com a boca ligeiramente aberta, a cabeça balançando a cada solavanco do veículo. Ela tem vinte e poucos anos, como a maioria dos outros alunos a bordo, todos um pouco mais velhos, um pouco mais cansados do mundo do que ele. Com seus dezenove anos, Liam sente-se como o irmão mais novo numa viagem de família que não lhe pertence.
Ele suspira, o calor do seu próprio hálito a bater de volta no rosto. O silêncio entre ele e Clara é pesado. Ele precisa de qualquer coisa para quebrar a monotonia. O seu olhar vagueia pelos outros assentos, aterrando num rapaz sentado do outro lado do corredor, um pouco mais à frente. Ele também está sozinho, a olhar para o nada com a mesma expressão de tédio. Liam encara-o por um momento, e quando o rapaz olha na sua direção, ele levanta a mão num aceno breve e hesitante. O rapaz retribui o gesto, um pequeno sorriso a formar-se nos seus lábios. É o suficiente.
Liam levanta-se, movendo-se com cuidado para não acordar Clara, e desliza para o assento vazio ao lado do estranho. "Oi", diz ele, a sua voz um pouco rouca de desuso. "Eu sou o Liam."
O rapaz vira-se para ele, e o seu sorriso alarga-se. "Mikael. Prazer." Ele tem uma voz calma e um olhar amigável que imediatamente põe Liam à vontade.
Eles conversam. O tempo dissolve-se no ritmo das suas palavras. Mikael tem trinta anos, está a fazer um mestrado em arquitetura, e fala sobre o seu projeto final com uma paixão que é cativante. Liam, por sua vez, fala sobre as suas aulas de design, sobre as suas incertezas sobre o futuro. A conversa flui sem esforço, passando de sonhos e ambições para queixas sobre o trânsito e o preço dos livros. Liam ri, um som genuíno que se perde no barulho do ônibus. Por quase uma hora, eles são uma ilha de conexão num mar de estranhos adormecidos.
Eventualmente, Mikael boceja, um bocejo vasto e incontrolável que faz os seus olhos lacrimejarem. "Desculpa", ele murmura, esfregando os olhos. "Acho que a noite de estudo apanhou-me."
"Sem problemas", diz Liam. "Aqui é um bom sítio para um sono."
Mikael assente, a cabeça a pender para o lado. Sem mais cerimónias, ele deixa-a cair, o peso dela a pousar suavemente no ombro de Liam. Liam fica completamente parado. O calor do corpo de Mikael é surpreendente, um ponto focal de calor no ar frio do ônibus. Ele pode sentir o respirar lento e regular de Mikael contra o seu pescoço, o cheiro suave do seu sabonete e um toque de café. O seu coração bate um pouco mais depressa, um ritmo descompassado contra a calma de Mikael.
Então, ele sente mais. A mão de Mikael, que estava pousada no seu próprio colo, desliza. O movimento é lento, quase inconsciente, como se o corpo de Mikael estivesse a procurar conforto no sono. A mão pousa na coxa de Liam, os dedos a cerrarem-se ligeiramente no tecido das suas calças de ganga. Liam não se mexe. Ele olha para o fundo do ônibus. Estão sozinhos na última fila, escondidos pela escuridão e pela indiferença dos outros passageiros. Ninguém vê. Ninguém se importa. Uma sensação estranha, uma mistura de poder e cumplicidade, percorre-o. Ele deixa a mão ficar ali, um peso quente e proibido.
Ele fecha os olhos, a cabeça de Mikael no seu ombro, a mão dele na sua coxa. O zumbido do motor torna-se um som distante, e ele também se deixa levar para um estado de sonolência.
Duas horas depois, Liam acorda. Não é um despertar súbito, mas um retorno lento à consciência, impulsionado por uma mudança no ritmo ao seu lado. O corpo de Mikael está tenso, a respiração já não é calma e regular, mas sim curta e ofegante. Liam abre os olhos, a visão a desfocar-se antes de se ajustar à penumbra. Ele olha para baixo, para o colo de Mikael.
A mão de Mikael já não está na sua coxa. Está debaixo do seu próprio moletom, a mover-se num ritmo firme e deliberado. O tecido oscila sutilmente, e Liam percebe exatamente o que está a acontecer. Mikael está a se masturbar, ali, ao seu lado, a poucos centímetros de distância, presumindo que Liam ainda está a dormir. Uma onda de choque quente percorre o corpo de Liam, seguida por uma curiosidade avassaladora. Ele observa por mais um momento, o rosto de Mikael contorcido numa máscara de prazer contido, os lábios entreabertos.
Liam move-se, o seu próprio braço a estender-se lentamente pelo espaço entre eles. A sua mão encontra o braço de Mikael, deslizando para baixo até encontrar a mão dele debaixo do tecido. Mikael estremece violentamente, o corpo a ficar rígido como uma tábua. Ele para o movimento, os olhos a abrirem-se em pânico, a encontrarem os de Liam. O medo e a vergonha estão nítidos no seu olhar.
Mas Liam não recua. Ele cobre a mão de Mikael com a sua, sentindo o calor e a rigidez do pénis dele através do tecido. Ele aplica uma pressão suave, um convite. Mikael fica tenso, os músculos dos seus braços a contrair-se sob o toque de Liam. Ele hesita, um conflito silencioso a travar-se no seu rosto. Depois, lentamente, ele relaxa. Ele permite que a mão de Liam se junte à dele, que o guie.
Liam inclina-se, os seus lábios a roçarem a orelha de Mikael. O seu hálito é quente contra a pele sensível. "És um safado, Mikael", ele sussurra, a voz um murmúrio baixo e rouco. "A masturbares-te bem ao meu lado."
Mikael estremece outra vez, um arrepio que nada tem a ver com o frio. Liam vê-o engolir em seco, o pânico nos seus olhos a ser substituído por outra coisa, algo mais escuro e mais faminto. Um sorriso toca os lábios de Liam. Ele aperta a mão, começando a masturbar Mikael com mais força, mais rápido. O ritmo dele é seguro, experiente, e Mikael responde, o corpo a arquear-se ligeiramente no assento.
Precisando de mais, Liam desata o cinto de segurança. Ele desliza do seu assento, ajoelhando-se no espaço apertado entre o banco da frente e as pernas de Mikael. O chão do ônibus é sujo e frio sob os seus joelhos, mas ele não se importa. Ele levanta a borda do moletom de Mikael, expondo o pénis duro e saliente. Sem hesitação, Liam inclina-se e leva-o para a boca.
Ele sente o gosto salgado da pele, o peso quente do pénis na sua língua. Mikael ofega, as suas mãos a voarem para o cabelo de Liam, os dedos a entrelaçarem-se nos fios, a puxarem suavemente. Liam olha para cima, para o rosto de Mikael. A cabeça dele está atirada para trás, apoiada no encosto do assento, os olhos fechados, as mandíbulas tensas. Ele está a lutar para não gemer, o corpo todo tenso com o esforço de se conter. O poder que Liam sente é intoxicante, um segredo sujo e delicioso a partilharem no fundo de um ônibus a mover-se através da noite.
