PRÓLOGO

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                      Onde o pacto acorda

A madrugada caia pesada sobre o castelao de dasen. parecia que o sol evitava aquele lugar, como se tivesse medo das paredes antigas que sussurravam quando ninguem tava olhando. medo das sombras que se arrastavam silenciosas pelos corredores. medo do passado que respirava fundo la dentro, esperando a hora certa de voltar.

harry andava devagar, segurando a princesa charlotte no colo. a bebe dormia tranquila demais pra um lugar que nunca conheceu paz. ela era pequena, quente, leve... a unica luz viva naquele palacio onde todo passo fazia ecoar historias mortas.

harry ajeitou ela na cama, puxou a manta, deixou um beijo na testa e fechou a porta devagar.

quando virou, quase perdeu o ar.

louis tava ali. parado na escuridao do corredor, como se tivesse brotado das sombras. o principe herdeiro sempre aparecia assim: silencioso, frio, com aquele olhar que atravessava harry como se tentasse ler ate o fundo da alma dele.

— ela dormiu — harry sussurrou.

— eu sei — louis respondeu, firme, mas baixo. — voce sempre consegue.

harry desviou o olhar, sem saber onde colocar as maos. louis tinha essa presenca que deixava tudo tenso. pesado. perigoso. como se um toque dele pudesse quebrar qualquer coisa — inclusive harry.

— eu so fiz meu trabalho, alte—

louis. — o principe cortou. — ja falei pra voce me chamar assim.

harry respirou fundo. — ta... louis.

silencio.

um silencio que parecia vivo. quase um animal escondido entre eles.

entao... um estalo.

algo quebrou no final do corredor. forte. seco. gelado.

harry travou.

louis tambem.

era raro ver medo nos olhos do principe — mas naquele segundo, tinha um brilho estranho ali. algo que dizia que aquele barulho... nao era humano.

eles seguiram juntos ate a biblioteca. a porta estava entreaberta. um vento gelado escapava dela como se a noite estivesse vazando pra dentro do castelao.

louis empurrou. devagar.

o caos tomou forma ali dentro: livros jogados no chao, poeira suspensa no ar, velas apagadas... e um tomo enorme aberto no centro da sala, como se alguem tivesse largado ele segundos atras.

ninguem estava ali.

mas o ar... o ar parecia cheio de presencas.

harry se aproximou do livro. as letras vermelhas brilhavam fracas, como sangue velho tentando acordar.

pacto de sangue frio

o titulo latejou na cabeca dele.

louis prendeu a respiracao.

— esse livro... nao devia existir aqui — ele murmurou.

harry virou pra ele. — voce conhece isso?

louis demorou alguns segundos pra responder. quando respondeu... era a voz de um homem carregando fantasmas nas costas.

— esse pacto destruiu minha familia.

harry sentiu a espinha arrepiar. — o que aconteceu?

louis passou a mao no rosto. parecia lutando contra lembrancas que queimavam.

— ha muito tempo, um vampiro e um lobo selaram um acordo aqui em dasen. trocaram sangue, alma e vida pra manter o equilibrio entre as criaturas. isso era pra trazer paz. mas nada que envolve criaturas da noite termina em paz.

harry engoliu seco.

louis continuou:

— um descendente quebrou o pacto. e quando isso aconteceu... veio guerra. morte. loucura. minha familia inteira carregou essa maldicao. e a minha mae... — a voz dele quase falhou — ela morreu tentando descobrir a verdade.

o peito de harry apertou. ele pensou na bebe charlotte. pensou no olhar frio de louis. pensou no castelo que parecia respirar como um monstro adormecido.

— o que exatamente ela descobriu? — harry perguntou.

louis virou o rosto devagar.

quando olhou pra harry... tinha algo sombrio demais ali.

algo que nao era so humano.

— que o pacto nao era so entre criaturas. era entre linhagens. linhagens marcadas desde o nascimento. e... — louis deu um passo pra mais perto — harry... voce tem sangue marcado.

harry gelou.

todo o ar do castelo pareceu sumir de uma vez.

— isso e loucura — ele murmurou, retrocedendo.

— é verdade — louis disse, firme. — eu senti no seu cheiro desde o primeiro dia. voce nao é so um criado. voce e parte do pacto. voce é a chave que ele tentou esconder.

harry abriu a boca, mas nao saiu som.

naquele instante, o livro virou paginas sozinho. uma vela reacendeu do nada, cuspindo luz fraca. o vento cortou a sala como uma lamina.

e, atras deles...

um sussurro saiu da escuridao.

frio. antigo. faminto.

o sangue chamou. o sangue volta. o pacto acordou.

harry prendeu a respiracao.

louis ficou na frente dele, instintivo, como um lobo protegendo o que nao deveria proteger.

a sombra ao fundo se mexeu. uma forma, um eco, um algo.

e naquele segundo...
o castelo de dasen abriu os olhos.

o pacto tinha despertado.
e harry... nunca foi so um criado.

jamais.

O pacto de sangue frio Des histoires addictives. Découvrez maintenant