Capítulo 1

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O som do lápis contra a folha de papel fina ecoava pelo vagão vazio

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O som do lápis contra a folha de papel fina ecoava pelo vagão vazio. Ainda eram três da tarde, e não havia muitos passageiros indo em direção ao interior do estado. Maite era a única naquele vagão. A folha de papel em sua mão se encontrava cheia de rabiscos sem sentido. A paisagem que ela desenhava não passava de diversos borrões. Já haviam se passado mais de duas horas desde que ela estava sentada em seu assento, esperando impacientemente o momento em que o trem chegaria ao seu destino. Ela tomou cerca de três copos de chocolate quente apenas naquela tarde. Talvez seu nervosismo estivesse a deixando faminta. A cada estação que passava, mais perto ficava o momento em que ela teria que começar a conviver com duas mulheres bem mais maduras do que ela. Mulheres que ela não conhecia, só ouvira falar algumas vezes.

Parece que sua mãe se cansou de seus problemas e a mandou no primeiro trem para longe dela. Pelo menos, é assim que Maite vê toda essa situação: sendo descartada como uma batata podre pela própria família. Tudo o que sua mãe lhe disse era que seria bom para sua filha passar um tempo longe do ar empoeirado da cidade. Talvez o ar limpo e a brisa fresca do interior lhe fizessem bem por alguns meses. Mas Maite não sabe se será realmente bom viver em uma casa desconhecida, com pessoas que ela nunca viu pessoalmente. Pessoas já velhas, que com certeza vão querer controlar até mesmo o que ela come. Se não fosse assim, sua mãe não a teria mandado para lá.

Parece que essas mulheres são velhas amigas de Alicia, sua mãe. Ela não lhe disse há quanto tempo elas se conhecem ou o porquê de serem amigas, apenas disse que elas a tratariam bem e a ajudariam com sua asma. Maite anda tendo algumas crises fortes ultimamente, principalmente depois da morte do pai no ano passado. É como se ele tivesse tirado uma parte sua e levado junto com ele para sempre.

Mas não é apenas a asma que preocupa sua mãe. A jovem passou por um término de relacionamento há alguns meses e não parece ter superado muito bem. Maite vivia indo atrás do ex-namorado na esperança de que o pobre garoto voltasse para sua vida. Podemos dizer que Maite nunca foi muito boa com finais. Quando viu que o homem não voltaria, começou a beber e fumar nas festas que ia, como se isso não piorasse significativamente sua asma. Além de ter pintado boa parte do cabelo de roxo, algo que se arrependeu depois, pois danificou boa parte de seus cachos.

Talvez Rebecca e Ana Carolina possam ajudar.

Quando o trem parou na estação final, todos os passageiros foram obrigados a desembarcar, incluindo Maite, com sua mala gigantesca sendo arrastada pela estação. Quando saiu para fora, a primeira coisa que a jovem procurou foi uma senhora grisalha encostada em seu carro dos anos 90, acreditando ser Rebecca. Quando finalmente encontrou uma velhinha com vestido rosa, cabelos grisalhos e pele caída, foi caminhando prontamente em sua direção.

— Olá, sou a Maite. Prazer. — cumprimentou, recebendo um olhar confuso da senhora por cima dos óculos de grau.

— Quem, minha filha? — gritou a mais velha, sem parecer estar escutando muito bem.

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⏰ Última atualização: Nov 04, 2025 ⏰

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