Registros de expedição do Necronauta
Era do silêncio, eco 77851
Xylos: Registro 01
Não há possibilidade de vida em Xylos.
Eu havia conseguido a informação de um mercador alguns decaciclos atrás. Um planeta desabitado com uma atmosfera densa e corrosiva, impedindo qualquer possibilidade de biogênese no local.
Ainda assim, aqueles poucos que se aventuraram na superfície do planeta descreveram a existência de resquícios de civilização em ruinas abandonadas e estruturas fossilizadas.
Xylos, um planeta morto, que os viajantes do anel externo chamam de o cemitério dos murmúrios, um local para ser deixado em paz e esquecido pelo tempo. Não havia nada de precioso em Xylos para eles. Para eles...
Encontrar o registro do planeta no mapa estelar me custou um pouco de recursos e tempo, mas alguns serviços esporádicos para o conglomerado me forneceram tudo que eu precisava para poder encontrá-lo. A atmosfera do planeta era coberta por uma nevoa densa e escura, adentrar com o cargueiro quase destruiu os escudos de radiação.
Sobrevoando a atmosfera escurecida, pude ver a pouca luz dos sois vermelhos que adentravam por entre a nevoa densa do céu e tingiam o deserdo vítreo do planeta com um tom levemente rubro. As planícies infindáveis de placas solidas de solo reflexivas e rachadas por entre montanhas de rochas escurecidas, solidas, pontiagudas e esburacadas. Nenhum sinal de vida aparecia nos sensores da nave.
Mas eu não estava aqui para algo vivo.
Ao aterrissar o cargueiro em uma fenda entre rochas, que o protegesse da atmosfera corrosiva o máximo possível, me vesti com o traje proteção de radiação, máscara captação de umidade e oxigênio e a capa pesada e contenção, o esquife repulsor Corcel de ferro e desci na superfície do planeta morto.
O barulho do corcel flutuando em alta velocidade por entre o deserto reflexivo vencia os sussurros do vento e eu sentia o ar gelado entrando meus pulmões, mesmo após a filtragem. O visor precisava se adaptar à escuridão devido ao bloqueio do sol. Continuei observando o pulsador emitindo o sinal cada vez mais forte em meu pulso esquerdo à medida que eu atravessava aquele deserto, não havia dúvidas...
Naquele local havia um artefato precursor. O resquício de energia da criação que o pulsador indicava eram fortes demais para ignorar. Os Arquitetos do Vazio deixaram alguma coisa em Xylos.
O pulso me levou a entrada de ruinas antigas. Era possível distinguir que o local havia sido feito por uma civilização organizada, levando em conta os formatos geométricos do que podia ser observado nos resquícios fossilizados do que um dia pareceu ser uma estrutura em pedra ou metal. Uma grande entrada em escadarias deformadas que levavam a uma escuridão adentro do subsolo.
O emissor de luz da máscara me concede visão adicional para ponderar o vazio, enquanto me equipo com o Martelo, recarregando suas células de fusão solar para cada disparo no barril. Os níveis de radiação eram baixos, os de hidratação, saúde física e mental estavam estáveis, o canhão de mão estava carregado e o pulsador indicava aquele local, só me restava adentrar a escuridão.
O brilho luminescente verde do capacete iluminou as ruínas do local fechado e, protegido da radiação, era possível ver mais e mais resquícios de tecnologia da civilização perdida de Xylos, longe da corrosão da névoa.
Após explorar dez andares abaixo naquela catacumba vazia, o pulsador indicava que eu estava chegando próximo ao artefato, porém, em meio ao silêncio do local, eu pude escutar.
Uma movimentação, passos... não... Outra coisa... Semelhante, mas ainda sim diferente...
Inquieto.
Respirei fundo perante mais uma escadaria para continuar descendo na escuridão.
Eu não estava sozinho naquele local.
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O Necronauta
Science FictionEm uma galáxia construída sobre os túmulos de deuses mortos, um homem caça os segredos que eles deixaram para trás. Ele é o Necronauta, um explorador solitário e talvez o último de uma ordem esquecida. Sua missão: vasculhar planetas-tumba em busca d...
