Capítulo I - Criança Faminta
Lá fora o barulho dos carros eram irritantes e o cheiro de cigarro e algo mais forte preenchia esse cômodo como se fosse o inferno. Uma criatura pequena, medindo até o joelho de uma pessoa adulta. Se levantou de sua cama com olhos vidrados e exaustos, andando descalço pelo chão sem piso dessa casa precária. Havia lixos por toda a parte e o cheiro forte que sempre o fazia tossir. Se aproximou perto de uma mulher alta com um cigarro em sua mão, estava sentada no chão olhando como um zumbi para a parede, babando e balbuciando palavras sem sentido.
- Mãe, estou com fome.- Disse o garotinho, seu estômago roncando e se embrulhando, ele dizia com um olhar inexpressivo e cansado. Como se não comesse há dias.
A mulher afastou o cigarro de seus lábios, as cinzas caíam sobre o chão e alcançavam os dedos de seu pé nu. Franziu a testa e bateu o pé no chão, batendo a cabeça na parede desta cozinha deplorável. - Já disse para você parar de me irritar com isso!- A mulher gemeu baixinho, bufando como um animal irracional.
O barulho bruto de seus pés batendo contra o chão sem piso fez o garotinho de olhos azuis e cabelos pretos se assustar. Ele soluçou, seus olhinhos puxados se enchendo de lágrimas e seus lábios inferiores tremendo ligeiramente. - Mas estou com muita, muita fome, mamãe!- Insistiu o menino em desespero, se sentindo tonto enquanto implorava por algum alimento que pudesse mastigar.
A mulher se levantou abruptamente, andando até ele com passos bagunçados e estranhos. Agarrou o pulso do garoto à força, as marcas de seus dedos apareciam na pele do menino, o deixando marcado. - Eu já te falei! Se está com tanta fome, vá trabalhar para ter o seu!- O soltou com violência, fazendo o garoto quase cair para trás e perder seu equilíbrio.
Nada realmente de diferente, apenas mais um dia comum.
Engolindo seu choro, o garotinho podia sentir seus olhos úmidos, a visão embaçada e a maldita dor de cabeça e estômago por está a tanto tempo sem comer. Saiu de casa com os pés descalços, roupas sujas e amarrotadas. Andou pelas ruas o cão perdido, vasculhando os lixos a procura de algo comestível.
Nada.
Parecia cada vez mais faminto, como se fosse desmaiar a qualquer momento, sentia suas pálpebras pesadas em um sono profundo. Vasculhando mais uma lata de lixo, sentiu uma mão em seu ombro, a sombra alta atrás do pequeno cão perdido andando em uma cidade grande cheio de predadores em potenciais.
- Está com fome, garoto? Venha comigo, eu sei onde tem comida.- Disse a sombra alta com sua lábia persuasiva e quase chamativa.
Ingenuidade
O pobre cãozinho foi atrás de comida seguindo o possivel lobo disfarçado de cordeiro.
Foi em um beco escuro...
Um sorriso gentil rapidamente se transformava em um mar vermelho sob seus pés.
O homem recebeu uma ligação de um de seus mais temidos homens, dizendo que um rato (subordinado seu) foi brutalmente assassinado pelo um "espião" das sombras em um dos becos, que por coincidência era uma das rotas de fugas dos contrabandistas.
A criança olhava para o cadáver com os olhos arregalados, tão arregalados que seus orbes estavam quase saindo para fora de suas pálpebras e a roupa encharcada pelo sangue. Ao notar a presença do homem, ele se vira para encará-lo, seus olhos sombrios sem vida, ele repetia várias e várias vezes - Estou com fome... tanta fome...- A voz do garoto era trêmula e baixa, ele se sentia como um monstro, uma verdadeira aberração. Ele não era alguém normal, por que deveria ser considerado normal? Ele matou um homem a sangue frio, a criança segurava a cabeça do cadáver com olhos sombrios e sem vida.
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Cores De Cinzas Vermelhas
RomanceA história se passa a partir dos anos 2000, cinquenta e cinco anos depois da tragédia na cidade de Hiroshima. A cidade renasceu das cinzas, se tornando umas das mais lindas e modernas do Japão. Esse ano marca o nascimento de uma nova descoberta, não...
