Capítulo 1 - Ecos de Corneria

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O nascer do sol em Corneria não era apenas luz - era metal dourado refletindo nas torres e hangares da cidade.
Naves de treinamento cruzavam o céu, deixando rastros azuis como riscos de pincel sobre uma tela viva.
E no meio do pátio da Academia Espacial, uma jovem Raposa de pelagem alaranjada e olhar intenso observava em silêncio.

Seu nome era

Fox McCloud.

Seu coração batia rápido toda vez que uma Arwing passava.
Não por medo - mas por sonho.

- Um dia... eu vou pilotar uma dessas. - murmurou, apertando o colar que usava no pescoço, com o emblema da equipe Star Fox, deixado por seu pai.

O som de passos metálicos ecoou atrás dele.
- "Falando sozinho de novo, Fox?"
Era Peppy Hare, velho amigo de seu pai e agora instrutor na Academia. O coelho tinha os pelos grisalhos e um sorriso cansado, mas acolhedor.

- "Eu só... gosto de ver o céu. Lembra o tempo em que ele era nosso."
Peppy suspirou. - "Seu pai dizia a mesma coisa antes de cada missão."

Fox ergueu o olhar. - "E olha onde isso o levou."
O coelho ficou em silêncio. Sabia que o garoto ainda carregava uma ferida que o tempo não curara.

Naquela noite, a base de Corneria tremia com voos de emergência.
No hangar principal, James McCloud, o lendário comandante da primeira Star Fox, preparava-se para partir com Peppy e Pigma Dengar.

Fox, ainda pequeno, correu até ele.
- "Pai! Eu posso ir junto desta vez?"
James ajoelhou-se, pousando as mãos nos ombros do filho.
- "Nem todos os voos são de treinamento, meu garoto. Alguns são... de destino."

Fox franziu o cenho. - "Mas eu sou forte! Eu quero lutar também!"
James sorriu.
- "E eu acredito nisso. Mas primeiro, aprenda por que lutamos.
Um piloto não busca glória. Ele busca propósito."

Fox tentou gravar cada palavra, cada tom de voz, cada brilho nos olhos do pai.
A sirene de decolagem cortou o ar.

James vestiu o capacete, virou-se uma última vez e disse:
- "Quando o céu te chamar, Fox... não hesite."
Então desapareceu na luz azul da decolagem.

Foi a última vez que o viu.

Três dias depois.

A notícia chegou como uma sentença fria:
A equipe Star Fox foi dada como desaparecida nos arredores de Venom.
Somente Peppy retornou - ferido, exausto, e com o olhar de quem vira o impossível.

Fox correu até ele no hangar, gritando:
- "Onde está ele?! Cadê o meu pai, Peppy?!"

Peppy segurou o garoto, tremendo.
- "James... ficou para trás. Ele nos salvou. Se não fosse por ele, nem eu estaria aqui."

O jovem olhou para o chão. As lágrimas caíram silenciosas, pingando sobre o colar do emblema.
O som das turbinas ecoava ao longe - como se o céu chorasse junto.

Naquela noite, Fox McCloud prometeu algo ao vazio:

"Um dia, eu vou descobrir a verdade.
E vou mostrar que o nome McCloud ainda voa entre as estrelas."


Anos depois.

A cidade de Corneria pulsava com tecnologia e rotina militar.
E em meio ao barulho dos caças e comandos, um nome ecoava entre os recrutas da Academia:
Fox McCloud, o piloto mais indisciplinado - e o mais talentoso.

Em uma tarde de treino, o instrutor bradou:
- "Exercício de voo: percurso de anéis orbitais, sem assistência de navegação!"
Fox sorriu.
Ao seu lado, uma voz arrogante respondeu:
- "Tenta não ficar pra trás dessa vez, McCloud."

Era Falco Lombardi, o melhor amigo e rival - um pássaro de asas afiadas e atitude impossível de domar.
Fox respondeu com ironia:
- "Você só fala isso porque sabe que vai comer poeira."

As Arwings dispararam pelos céus.
Os dois cortaram o vento em manobras impossíveis, mergulhando entre prédios, desviando de lasers de treinamento, atravessando formações em V.
O instrutor gritava no rádio:
- "McCloud, Lombardi! Isso é um treino, não uma guerra!"

Eles riam - e voavam ainda mais rápido.

No final, cruzaram a linha de chegada lado a lado, exaustos.
Falco bufou:
- "Um empate? Isso não prova nada."
Fox tirou o capacete, sorrindo.
- "Prova que o céu é grande o bastante pros dois."

Peppy, assistindo de longe, sussurrou para si mesmo:
- "James... seu filho está pronto."

No alto da torre de observação, Fox olhava o horizonte.
O vento levava o som distante de naves decolando.
Ele ergueu o colar do pai contra a luz e murmurou:

"O céu me chamou, pai.
E eu não vou hesitar."


A lenda começava - não com glória, mas com uma promessa.

Star Fox: Asas Do Destino Stories to obsess over. Discover now