O trem apitava ao longe quando Draco Malfoy desceu na plataforma de Hogsmeade. O ar frio da manhã arranhava sua pele pálida, mas o arrepio que percorreu sua espinha nada tinha a ver com o clima. Cada passo até a carruagem parecia pesar como se arrastasse correntes invisíveis. Voldemort havia lhe dado uma missão e essa missão agora estava marcada em sua alma. Matar Dumbledore. A ordem ainda ecoava em sua mente, como se a voz cortante da criatura estivesse sempre ao seu lado.
Ele tentou se manter ereto, o queixo erguido, como sempre fazia, mas por dentro tudo nele tremia. Era como se cada parede de Hogwarts fosse se fechar ao seu redor. Estava acostumado a ser observado, a ser odiado, a ser temido. Mas agora não era apenas um jogo de orgulho adolescente. Agora sua vida, e principalmente a de sua mãe, estava em jogo.
O salão principal estava como sempre, iluminado por velas flutuantes, longas mesas cheias de comida que ele não tinha estômago para tocar. O burburinho dos alunos voltando das férias de verão preenchia o ambiente, risadas e vozes que soavam distantes, quase irreais para ele. Draco se sentou à mesa da Sonserina, isolado, tentando ignorar os olhares curiosos. Pansy tentou conversar, mas ele mal a escutou. Só pensava em como, diabos, ia cumprir aquela missão.
Na mesa da Grifinória, Hermione Granger observava sem perceber que seus olhos o seguiam. Algo estava diferente. Draco sempre havia sido arrogante, sempre fazia questão de zombar, mas agora parecia… quebrado. Seus ombros estavam rígidos demais, seu olhar perdido. Ela apertou os lábios, intrigada. Não queria sentir compaixão por alguém que havia feito tanto para humilhá-la nos anos anteriores, mas alguma coisa dentro dela dizia que havia algo errado.
As semanas seguintes foram um tormento. Draco passava horas escondido, tentando encontrar uma forma de cumprir o impossível. Tentava imaginar como entrar na sala de Dumbledore, como levantar a varinha contra o único homem que realmente representava alguma segurança em Hogwarts. Cada tentativa de planejamento falhava, porque seu coração acelerava e sua mente gritava que ele não era um assassino. Mas a imagem de sua mãe chorando, implorando por sua vida, o mantinha em silêncio.
Snape percebeu. Sempre percebia. Uma noite, após uma reunião breve e silenciosa, Draco ficou sozinho com ele na sala. O professor de Poções observou-o com aqueles olhos escuros e profundos. Draco esperava frieza, cobrança, mas Snape falou baixo, quase como um conselho.
“Você não precisa carregar esse peso sozinho.”
Draco olhou desconfiado. Não confiava em ninguém. Mas a voz de Snape não tinha julgamento, apenas algo que ele não sabia identificar. Talvez fosse preocupação.
“Se quiser sobreviver a isso, precisa aprender em quem pode confiar.”
Essas palavras grudaram em sua mente. Confiar. Mas em quem? Certamente não em seus colegas da Sonserina. Não em Voldemort. Nem mesmo em si próprio.
Hermione o observava de longe, cada vez mais inquieta. Durante uma aula de Poções, percebeu como suas mãos tremiam levemente ao cortar ingredientes. O Draco Malfoy que ela conhecia jamais deixaria transparecer fraqueza. Ele evitava os amigos, respondia a Pansy de forma brusca e parecia perder peso a cada semana. Algo dentro dela gritava que precisava entender.
Foi só no final de setembro que o destino decidiu aproximá-los. Hermione havia ficado até tarde na biblioteca, revisando feitiços de proteção avançada. Ao sair, ouviu passos apressados no corredor. Draco vinha na direção contrária, o rosto pálido mais do que nunca, os olhos vermelhos como se não dormisse há dias.
Eles se encararam. O tempo pareceu parar. Ele queria seguir adiante, fingir que não a viu. Mas algo nele quebrou.
Hermione falou primeiro.
“Você está bem?”
Foram três palavras simples, mas que o atingiram como um feitiço desarmador. Ninguém lhe perguntava isso. Nem Pansy, nem Crabbe, nem Goyle. Ninguém se importava de verdade. Ele deveria responder com sarcasmo, deveria zombar dela. Mas a voz não saiu.
“Não é da sua conta, Granger”, murmurou, tentando passar.
Ela não acreditou. A Hermione que estudava cada detalhe, que lia nas entrelinhas, sabia que ele estava mentindo.
“Você está diferente. E não adianta negar.”
Ele parou. Os olhos se encontraram de novo e por um segundo Draco sentiu vontade de gritar, de contar tudo, de jogar aquele fardo fora. Mas a lealdade à mãe o segurou.
Ele apenas seguiu em frente, mas aquela noite ficou gravada.
Dias depois, na sala de poções, Snape mandou-os trabalhar em dupla. Hermione e Draco, ironicamente, lado a lado. Ela sentiu a tensão no ar, o silêncio pesado. Ele não olhava diretamente para ela, mas os dedos trêmulos, a respiração contida, eram detalhes que Hermione não ignorava.
Foi nesse silêncio que ela percebeu algo que mudaria tudo. Draco não era apenas um rival. Draco estava com medo.
Naquela noite, ela não conseguiu dormir. O rosto dele a perseguia. Se fosse apenas arrogância, ela saberia lidar. Mas medo? Era diferente. E o medo dele parecia carregado de algo muito maior.
Do outro lado do castelo, Draco encarava o teto da cama em dossel. As palavras de Snape ecoavam de novo. “Você não precisa carregar esse peso sozinho.” Hermione Granger era a última pessoa que ele deveria procurar. Mas era justamente a única que parecia notar que algo estava errado.
A ideia o corroía. Se pedisse ajuda a ela, seria traição contra Voldemort. Mas não pedir seria condenar sua mãe. O dilema o sufocava.
Na manhã seguinte, Hermione levantou decidida. Se Draco não falava, ela daria um jeito de descobrir. Afinal, quantas vezes já tinha enfrentado mistérios antes? Esse seria só mais um.
Durante o café, ela notou como ele empurrava a comida sem realmente comer. Harry e Rony conversavam animados sobre Quadribol, mas Hermione mal os escutava. Seu foco estava no loiro solitário, que parecia mais pálido a cada dia.
Rony percebeu o olhar dela, mas não comentou. Estranhamente, não sentia ciúmes como antes. Talvez estivesse cansado daquela insistência em algo que nunca daria certo. Seus olhos, sem perceber, buscavam Pansy Parkinson, que ria com Daphne Greengrass.
Hermione respirou fundo. Se Draco não pedisse ajuda, ela mesma se ofereceria. Não por simpatia. Não por amizade. Mas porque, no fundo, sentia que salvar Draco Malfoy podia ser tão importante quanto qualquer feitiço aprendido em Hogwarts.
E Draco, enquanto atravessava os corredores, já tomava sua decisão.
Se fosse pedir ajuda a alguém, seria a Granger. Porque, no fundo, sabia que ela jamais viraria as costas para alguém em perigo, mesmo que esse alguém fosse ele.
Naquela manhã, dois destinos começaram a se entrelaçar de um jeito que ninguém poderia prever.
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Oii genteee 😊 aqui estou eu com mais uma nova fanfic do nosso querido casal 💖
Após lerem, votem e comentem o que acharam...
Volto logo com o próximo Cap 😘
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Corações em Guerra
RomanceNo sexto ano em Hogwarts, Draco Malfoy carrega uma missão de Voldemort que ameaça sua vida e a de sua mãe. Sem saída, ele procura ajuda em quem menos esperava: Hermione Granger. Entre segredos, alianças improváveis e a pressão da guerra, nasce uma a...
