cego de amor

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Violet sempre soube que amar Noah era caminhar vendada por um labirinto cheio de espinhos. Só que ela nunca percebeu que ele também andava no escuro. Não porque não enxergasse o mundo, mas porque só conseguia ver ela.

Era uma noite abafada, o ar pesado, quase sufocante. A cidadezinha parecia dormir, exceto por eles dois, presos naquela conversa que já se arrastava há meses.

- Você não entende, Violet... - disse Noah, a voz quebrada. - Eu sou cego de amor. Não consigo pensar em nada além de você.

Ela engoliu em seco, sentindo o coração martelar.
- Isso devia ser bonito, Noah. Mas do jeito que você fala... parece uma maldição.

Ele riu, um riso sem alegria.
- Porque é. Eu acordo pensando em você. Passo o dia tentando fingir que não penso. E durmo sonhando contigo. Isso me consome.

Violet se aproximou, as mãos tremendo. A cada palavra dele, era como se ela estivesse mais presa, mais enredada nesse sentimento que era doce e perigoso ao mesmo tempo.
- E se eu disser que sinto o mesmo?

O olhar de Noah queimava, mas ao mesmo tempo trazia uma sombra que ela não compreendia.
- Então estaremos condenados juntos.

Um trovão explodiu no céu, como se fosse a confirmação do destino. Violet tocou o rosto dele com delicadeza, mas percebeu que as mãos de Noah tremiam.
- Por que você tem tanto medo? - ela perguntou. - O amor não devia ser assim.

Ele fechou os olhos, respirando fundo.
- Porque quando se ama demais... não sobra espaço pra mais nada. Você vira minha obsessão, meu vício. E um vício sempre acaba destruindo quem sente.

- E se eu quiser me perder em você? - Violet sussurrou, quase implorando.

Noah a puxou para perto, os lábios quase tocando os dela.
- Então lembre: eu te avisei.

Eles se beijaram, e o mundo parou. Era paixão crua, desesperada, como se não houvesse amanhã. Só que havia... e seria cruel.

Dias depois, Violet descobriu o peso daquelas palavras. Noah sumiu, como se tivesse sido engolido pela própria sombra. Uma carta deixada para trás carregava a última verdade:

"Violet, eu te amei tanto que me perdi. Cego de amor, deixei de me ver. Se eu ficar, vou destruir você também. Perdoa meu adeus."

Ela chorou até a exaustão. E entendeu que amar alguém até se cegar não era prova de força, mas de fraqueza. Ainda assim, nunca deixou de procurar aquele vulto nas multidões, esperando, contra toda lógica, que um dia ele voltasse.

Porque alguns amores não morrem. Apenas aprendem a se esconder.

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⏰ Última atualização: Sep 17, 2025 ⏰

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