Acordei no meio da noite com um frio súbito que me fez tremer. O vento parecia ter parado, mas o quarto estava gelado, como se algo tivesse invadido o espaço. Ouvi um rangido baixo, vindo do corredor. Primeiro pensei que fosse a madeira velha, mas cada rangido estava ritmado, como passos lentos e pesados.
Segurei a lanterna e caminhei devagar, tentando não fazer barulho. Cada degrau que eu subia parecia amplificar o som. Então ouvi novamente: um sussurro baixo, quase imperceptível:
— Você não deveria estar aqui…
Minha respiração ficou rápida, e cada fibra do meu corpo queria correr, mas meus pés pareciam colados ao chão. Olhei em volta. O corredor estava vazio… ou parecia estar.
Quando passei pela cozinha, notei algo estranho: o copo que deixei na pia antes de dormir estava agora sobre a mesa, no centro. Não podia ser minha imaginação. Segurei a lanterna com mais força, sentindo as mãos tremerem.
Um estalo alto ecoou atrás de mim. Virei rapidamente, mas não havia nada. A sombra projetada pela luz da lanterna parecia se alongar e se mover, embora eu estivesse imóvel. Um arrepio percorreu minha espinha. O frio aumentou, como se o ar tivesse sido sugado do quarto.
Subi para o corredor do andar de cima. As portas fechadas pareciam me observar. Então senti algo: a sensação de estar sendo seguido. Cada passo meu tinha um eco, mas parecia que havia outro passo, mais lento, pairando logo atrás. Não havia ninguém, mas o medo dizia que havia.
Um novo sussurro veio, dessa vez mais próximo, como se tivesse sussurrado ao meu ouvido:
— Você vai ficar… para sempre…
Meu coração disparou. Corri para o quarto, tentando trancar a porta, mas quando olhei para a maçaneta, ela se mexeu sozinha. A porta estava entreaberta, e ninguém tocara nela. Um frio cortante invadiu meu corpo, e eu senti algo, invisível, me observando, se aproximando.
Fiquei imóvel, presa pelo medo. Cada som da casa — o ranger do piso, o estalo das tábuas, o sussurro que agora parecia em todos os cantos — parecia real demais para ser ignorado.
Naquele momento, percebi que não estava sozinha. E que, talvez, nunca estivesse.
KAMU SEDANG MEMBACA
A casa
Horor"A estrada estava deserta, apenas a luz fraca da lua iluminava a neblina. A casa antiga se erguia no fim do caminho, silenciosa e imponente. Quando a porta rangeu ao ser aberta, um arrepio percorreu minha espinha. Não sabia ainda que aquele silêncio...
