No véu da noite ecoam lamentos,
sombras dançam em frios tormentos.
As árvores choram folhas no chão,
como almas presas na escuridão.
O vento traz gritos de quem se perdeu,
segredos antigos que o tempo esqueceu.
A lua sangrenta observa calada,
a dor do mundo em pele marcada.
Nos corredores do nada eu caminho,
com passos leves, mas destino sozinho.
No silêncio escuto meu próprio clamor,
buscando abrigo, ou um último amor.
E assim sigo, entre trevas e medo,
em cada suspiro um segredo, um enredo.
A noite me guarda, me envolve, me guia,
sou filha das sombras, a eterna vigia.
