O homem da caverna

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X deu cinco objetos a Sisi:

Uma borracha.

Uma caneta.

Um lápis.

Um caderno.

Um isqueiro.

E falou:
— Te libero desta caverna se conseguires acabar com todos esses objetos.

Sisi nunca havia terminado nenhum deles antes. Sempre os perdia, trocava por algo melhor ou simplesmente se esquecia.

Sentada no chão da caverna, envolta por paredes úmidas e escuras, Sisi pegou o caderno. Com a caneta, escreveu tudo que lhe vinha à mente. Na primeira linha, anotou:

"Finalmente vou terminar algo que comecei."

"Algo que comecei a usar", pensou.

Escreveu até que a tinta acabasse. Quando a caneta cessou, pegou o lápis e começou a rabiscar o caderno inteiro, sem pensar no que surgia. Eram traços frenéticos, rostos distorcidos, letras embaralhadas. Sua mão doía, os dedos travavam, o suor escorria pelas têmporas. O coração pulsava como se estivesse preso junto dela, dentro das paredes da caverna. Tudo girava, e mesmo assim, ela continuava.

"Finalmente terminei", pensou, ao ver o lápis reduzido a um toco inútil.

Com a borracha, começou a apagar tudo. Cada rabisco, cada marca, cada sombra. Apagava até a borracha desaparecer entre os dedos.

Por fim, pegou o isqueiro. Queimou o caderno. Queimou suas roupas. O calor subia, o cheiro das cinzas entrava pelas narinas, e o suor cobria todo o corpo. Ela se sentou num canto da caverna, observando o isqueiro arder, até que também se apagasse. Quando tudo terminou, Sisi desmaiou no chão frio.

O homem da caverna se aproximou. Vestiu Sisi com roupas limpas e, quando ela acordou, falou com firmeza:

— Prometa que sempre terminará o que começar.

Ela prometeu.

Ele lhe deu um remédio, e Sisi o tomou até a última gota.

Aos cem anos, Sisi havia se formado em Direito. Cursou Medicina. Aprendeu a costurar, crochetar, cozinhar e pintar. Casou-se com um homem jovem aos oitenta anos e viu sua filha crescer. Viveu tudo.

No dia da sua morte, com o rosto sereno e um leve sorriso, suas últimas palavras foram:

"Termine tudo que começar. E sue tanto quanto eu suei."

No velório, o homem da caverna estava presente. Sentado num canto, ouvindo em silêncio. Ele sabia que o verbo "soar" podia ser sinônimo de "enlouquecer". E fez a filha de Sisi prometer o mesmo.

Com o tempo, o nome "Sisi" virou sobrenome. Um legado. E a filha dizia com orgulho:

"Fiz tudo o que esse mundo oferece. À custa de suor, de orgulho... e da obediência ao velho homem da caverna. Aquele que nunca envelhecia, nunca morria: o orgulho."

O homem da cavernaHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora