O início da noite

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Episódio 1 - O Início da Noite

A noite caiu pesada sobre a cidade. Do lado de fora, as ruas eram engolidas por névoa e luzes amareladas de postes que pareciam falhar a cada instante. Dentro da casa dos Martins, o clima não era menos denso.

Emma estava sentada à mesa, mexendo distraidamente a colher no café frio, sem conseguir engolir uma gota. O silêncio era quebrado apenas pelo tic-tac do relógio da parede. Ao seu lado, o irmão mais velho, Luca, batucava os dedos sobre a madeira, inquieto, como se esperasse algo ou alguém.

- Você pode parar com isso? - Emma reclamou, lançando-lhe um olhar afiado. - Parece que vai atravessar a mesa de tanto bater.

Luca sorriu de canto, mas era um sorriso nervoso, falso. Ele evitava encarar a irmã.

No outro extremo da mesa, Tomás, o pai deles, fumava em silêncio. A fumaça do cigarro subia lenta, formando nuvens cinzentas que se misturavam ao ambiente carregado. Ele observava Luca como quem enxerga além das palavras, mas não dizia nada.

- Pai, fala alguma coisa - Emma insistiu, quebrando o silêncio incômodo. - O Luca está estranho desde ontem.

O olhar de Tomás pesou sobre o filho, e por um instante, parecia que ele já sabia a resposta que Emma tanto queria.

- Estranho não... - Luca finalmente disse, com um riso abafado. - Só... preocupado.

Emma estreitou os olhos. - Preocupado com o quê?

Antes que Luca respondesse, o telefone fixo da casa tocou. O som metálico preencheu o ambiente, cortando o ar. Tomás levantou-se devagar, apagou o cigarro no cinzeiro e foi atender.

Emma e Luca se entreolharam em silêncio, cada um tentando adivinhar o que estava por vir.

Do outro lado da linha, uma voz grave falou algo rápido demais para Emma entender. Mas ela percebeu o semblante de Tomás mudar. Ele não era homem de demonstrar medo, mas naquele instante, seu olhar endureceu ainda mais.

- Entendi - respondeu o pai, seco, antes de desligar.

Ele voltou para a mesa, fitando Luca com firmeza.

- Eles querem falar com você. Hoje à noite.

Emma sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
Luca baixou os olhos. O jogo de silêncio havia acabado.

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Continua...

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