ㅤO salão do castelo ferve em luz, música e aromas ofensivos de alfas e ômega que marcam presença. Enid sente cada risada falsa, cada olhar avaliador como dezenas de agulhas contra a pele, o que aprofunda ainda mais a sensação de coceira do que as próprias roupas de gala, desconfortáveis e pinicantes.
ㅤSua mãe circula como loba em caça — ainda que jamais tenha deixado a forma humana por um instante sequer —, enquanto o pai desempenha o papel de bom ômega, repousando sob seu braço, sorrindo pequeno e doce. Falso. Juntos, apresentam Enid a cada alfa solteiro com status e propriedades aceitáveis que podem esbarrar. Homens e mulheres que a cercam com mãos e bocas grandes demais.
ㅤEnid se sente como uma peça brilhante de um leilão silencioso e não solicitado.
ㅤO leilão pela ômega não-acasalada da recente, mas já prestigiada, Casa Sinclair.
ㅤO ar é pesado, tenso com os cheiros da excitação dos alfas competindo por dominância. É um odor que se espalha, rodopia pelo ambiente exigindo espaço e submissão. Um cheiro que faz qualquer jovem ômega querer encolher-se, coçando o nariz em desconforto.
ㅤE Enid está farta.
ㅤCom uma desculpa murmurada sobre precisar de ar puro, Enid escapa, deslizando com a maior graça que consegue entre grupos de nobres conhecidos e desconhecidos até encontrar uma porta de vidro que leva aos jardins. A música e as vozes tornam-se um zumbido distante, substituídas pelo frescor da terra úmida e das flores e pelo som do vento noturno rodopiante. Ela caminha entre roseiras bem cuidadas até que os sons do baile se reduzem a ecos no fundo da sua mente.
ㅤAqui, longe dos olhares, ela pode finalmente respirar. Afrouxar os ombros e ser apenas Enid, não a ômega Sinclair naquela noite.
ㅤÉ então que um arrepio percorre sua espinha. Frio e fino. Eriçando os pelos de sua nuca ao despertar um instinto primitivo enraizado em algum ponto entre suas entranhas.
ㅤUm aviso silencioso de que ela não está sozinha.
ㅤDe que há um predador rondando nas sombras.
ㅤObservando pacientemente entre as folhagens.
ㅤAntes que consiga se virar para verificar seu contorno, uma voz surge. Firme. Metódica. Cortando o silêncio como uma lâmina recém-afiada.
ㅤ— Você é a ômega não-acasalada da Casa Sinclair. Enid Sinclair.
ㅤNão é uma pergunta. É o anúncio de um fato. Enid gira sobressaltada, o coração acelerado, batendo contra as costelas em um batuque frenético e descompassado.
ㅤA figura que emerge da sombra de um velho carvalho retorcido próximo é baixa, magra e pálida como a primeira neve. Seus cabelos negros, como asas de corvo, estão presos em tranças intricadas que coroam sua cabeça com um peso de sangue azul. Seus olhos são dois poços de escuridão, gélidos e fundos como um abismo.
ㅤE o cheiro... é inconfundivelmente alfa, mas como nenhum outro que Enid já encontrou. Não é o odor que se espalha exigente, que queima o fundo da garganta. Não. É contido. Controlado. Como se a essência daquela alfa tivesse sido torcida em si mesma. Amarrada com correntes grossas para impedir que se espalhe pelo arredor. Cheira como uma ameaça contida — mas ainda assim, uma ameaça perigosa. Cheira a um dia de tempestade forte em mar revolto, com um fundo metálico inconfundivelmente sangrento no ar.
ㅤEnid engole seco, forçando a postura ereta, os ombros rígidos como rocha, embora isso pouco disfarce seu desconforto e cansaço.
ㅤ— Sim. Eu sou uma ômega. E sim, sou Enid Sinclair.
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Weird Alpha | Wenclair ABO medieval
FanfictionDepois de finalmente escapar do baile onde seus pais tentam lhe arranjar um pretendente, Enid só quer um momento de paz. O que encontra, porém, é uma proposta... inusitada, vinda de uma alfa tão esquisita quanto intrigante. - ABO - Medieval - wlw ...
