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OႦʂ: ɳãσ ҽʂƚá ʂҽɠυιɳԃσ σ αɳιɱҽ

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wataru on:

Bom, meu irmão sempre me obrigava a assistir os treinos dele. Era quase um ritual: eu chegava, sentava no canto da quadra e deixava o tempo passar enquanto ele suava até cair.
Não vou mentir, às vezes era chato, mas eu nunca reclamei. Desde a infância aprendi a ser independente — afinal, sou surdo desde pequeno —, mas isso também fez meu irmão ficar mais protetor do que eu gostaria. Ele nunca me deixava sozinho em lugares assim.

Enquanto a bola quicava, os gritos ecoavam e as jogadas se desenrolavam em frente a mim, eu não escutava nada. Para mim, tudo era como um filme mudo. Em vez de acompanhar o treino, eu preferia abrir meu tablet e me perder nos meus rabiscos, criando personagens que só existiam na minha cabeça. Era o meu refúgio em meio ao barulho que eu não alcançava.

Foi então que senti o impacto inesperado.
Uma bola de vôlei, vinda de algum saque descontrolado, bateu direto na minha cabeça.

Levei a mão à testa, piscando algumas vezes, um pouco zonzo. Quando levantei os olhos, vi um garoto baixinho, com cabelo laranja chamativo, correndo na minha direção. A expressão no rosto dele era de puro desespero.

— Desculpa pela bolada! — ele falou.
Pelo movimento dos lábios, deduzi rapidamente o que tinha dito. Eu já estava acostumado a fazer leitura labial.

Respirei fundo, tentando não parecer irritado. Fiz o sinal com as mãos:

— Tudo bem — respondi em JSL (Língua Japonesa de Sinais).

Ele parou no lugar, piscando algumas vezes, como se estivesse tentando decifrar o que eu tinha acabado de fazer. A confusão estava estampada em seu rosto.

Antes que eu pudesse repetir de forma mais clara, uma voz conhecida se intrometeu:

— Ele falou que tá tudo bem, idiota — Kei disse, ajeitando os óculos e cruzando os braços, com aquela cara de tédio característica dele.

O garoto laranja — que mais tarde eu descobriria se chamar Hinata — ficou paralisado por um instante, e então um rubor subiu em seu rosto. Ele desviou o olhar, claramente envergonhado, coçando a nuca como se não soubesse onde enfiar a cara.

E eu, sentado ali, ainda massageando a testa, fiquei por um segundo reparando naquele garoto estranho, agitado e desajeitado, que parecia carregar uma energia diferente de todos os outros. Era como se ele fosse… impossível de ignorar.

Kageyama foi o primeiro a se aproximar. Eu já esperava: meu irmão sempre teve esse instinto de me proteger, mesmo quando não era necessário. Ele largou a bola sem se importar e veio quase correndo até mim. Ajoelhou-se ao meu lado, com aquele olhar sério que todo mundo na quadra já conhecia, mas que eu sabia esconder uma preocupação sincera.

Amor silencioso| hinata shoyo x malereaderStories to obsess over. Discover now