O som das ruas estava distante quando Lana empurrou a porta de vidro da pequena cafeteria no centro da cidade. O aroma de café recém-passado a envolveu, misturado ao cheiro doce de baunilha. Ela precisava de um lugar calmo, um refúgio para escapar do caos lá fora — e, talvez, organizar os pensamentos.
Foi então que viu. Ele estava sentado perto da janela, a luz do sol atravessando o vidro e iluminando seus traços delicados, como se o mundo inteiro tivesse parado só para destacá-lo. Jake. Ela não o conhecia — ainda — mas havia algo naquele sorriso distraído, no jeito como mexia na câmera em suas mãos, que fez o coração dela acelerar um pouco mais do que deveria.
Sem perceber, Lana escolheu uma mesa próxima. Abriu o caderno e tentou escrever algo, mas seus olhos insistiam em voltar para ele. Jake parecia completamente imerso no pequeno objeto branco que segurava, clicando botões e olhando curioso para a foto recém-impressa. Uma câmera polaroid.
— Ela é linda, não é? — A voz suave e um pouco grave fez Lana erguer o olhar, surpresa. Jake estava parado ao lado dela, segurando a câmera como quem segura um segredo.
— O quê? — perguntou, um pouco perdida.
Ele sorriu, apontando para o objeto em suas mãos. — A câmera. Eu vi você olhando. Quer dizer… não sei se estava olhando pra ela ou… — parou no meio da frase, levemente envergonhado, e isso fez Lana sorrir.
— Acho que era para você — respondeu sem pensar, sentindo as bochechas esquentarem logo depois. — Quer dizer… para a câmera! Eu nunca tinha visto uma assim de perto.
Jake riu baixo, aquele tipo de riso que faz o peito da gente aquecer. — Então deixa eu te mostrar.
Antes que Lana pudesse responder, ele puxou uma cadeira e se sentou de frente para ela. Colocou a câmera sobre a mesa com cuidado, como se fosse algo precioso. E talvez fosse.
— Ela é antiga, mas ainda funciona perfeitamente — disse, passando os dedos pelos botões. — Gosto de como as fotos saem na hora. É como… capturar um pedacinho do tempo que não volta mais.
Lana observou, fascinada não só pela câmera, mas pelo jeito como ele falava. Como se cada palavra fosse escolhida com carinho.
— Quer tirar uma? — perguntou de repente, levantando a câmera.
— Eu? — Lana arregalou os olhos, rindo nervosa. — Ah, não… eu saio horrível em fotos.
— Isso é impossível — Jake rebateu, com uma convicção que a fez engolir em seco. — Só fica aí. Prometo que vai gostar.
Sem dar tempo para protestos, ele ajustou a câmera, inclinou a cabeça e sorriu para ela — um sorriso tão bonito que Lana quase esqueceu de respirar. Então veio o clique. O som suave ecoou no silêncio confortável entre os dois, e a foto começou a sair, branca, esperando as cores aparecerem.
Jake balançou levemente a polaroid, depois a colocou na mesa. Aos poucos, a imagem foi surgindo: Lana, com um sorriso tímido, os olhos brilhando sob a luz suave da cafeteria.
— Viu só? — Jake inclinou a cabeça, mostrando a foto. — Eu disse que ia ficar linda.
Lana pegou a foto com cuidado, sentindo o coração acelerar. Não era só a imagem — era o momento. Um instante congelado, só deles.
— Acho que gostei — murmurou, ainda olhando para o retrato.
Jake apoiou o queixo na mão e a observou com um brilho curioso no olhar. — A gente podia tirar mais. Fazer uma coleção. Que acha?
Ela riu, surpresa com a ideia. — Uma coleção de fotos comigo? Por quê?
— Porque… — Ele fez uma pausa, como se buscasse as palavras certas. Então sorriu, daquele jeito que faz tudo parecer fácil. — Porque você tem um sorriso que merece ser lembrado.
Lana sentiu o coração disparar. E, pela primeira vez em muito tempo, pensou que talvez um simples clique pudesse mudar tudo.
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(continua…)
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Luz, Amor e Polaroids| JAKE
RomanceCada polaroid guarda um instante, cada abraço uma lembrança. Lana e Jake descobrem que o amor também pode ser feito de pequenos momentos.
