Capítulo 1

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Catherine

O vazio da madrugada, encolhida no chão tendo apenas um apoio da cama em minhas costas.

Minhas mãos geladas pelo o frio daquela noite e o silêncio pairava no quarto e a mente um turbilhão.

Aqueles pensamentos me engoliam por inteira, me sentindo incapaz, insuficiente.

Não conseguia respirar, era como se meu pulmão estivessem pegando fogo.

As lágrimas desciam sem som, pesadas demais para o pouco ar que eu conseguia puxar.

Sinto-me espremido pelas paredes e o chão do quarto, um peso invisível aumentava a cada segundo, me sufocando cada vez mais.

O ar que pouco restava começou a sumir cada vez mais, meu peito subindo e descendo muito rápido.

Meu coração batia tão forte que acho que ele vai rasgar meu peito e sair, sinto meu pulmão arder e minhas costelas se apertarem cada vez mais.

Por um momento penso que vou morrer ali sozinha, tento gritar, chamar por ajuda, mais é algo falho.

O mundo naquele momento era só o chão frio e àquelas paredes que pareciam querer me engolir.

Minhas unhas arranharam aquele maldito piso gélido, o som aspero ecoava em minha cabeça junto com aquelas vozes, na qual desejaria nunca mais ouvir.

Eu queria gritar mais a minha garganta falha, sinto um vazio aumentar, era como um buraco, cada vez crescia e crescia, nunca parava.

Minha visão fica turva, minhas mãos foram ao meu peito, tentando conter o desespero que me queimava por dentro.

Eu tentava convencer meu corpo a lutar por fôlego, mas minha mente insistia que aquilo não valia.

O chão do meu quarto já não era o mesmo. Era um abismo, era como um buraco negro, que estava me engolindo aos poucos.

Meu corpo tremia tanto, que eu mal sabia se era por conta do frio ou do medo.

Minhas mãos batiam contra o meu peito tentando arrancar aquele dor, mas eu não conseguia.

Era só um grito preso nos meus ossos, me raspando por dentro, tentando buscar por uma saída e não encontrando.

- Porque eu? - Sussurro com a boca seca e um gosto amargo que invadiam cada vez mais a minha boca.

Minhas unhas cravaram as minhas pernas, como se a dor física pudesse abafar o que eu sentia por dentro, mas aquilo não adiantava não era o suficiente.

O que era uma respiração virou um soluço, e o soluço virou um gemido pela dor, a dor virou um grito de socorro, de alguém que implorava por ajuda.

Eu sentia meu coração acelerar cada vez mais, meu pensamentos me culpando, àquelas vozes gritando na minha cabeça.

O tempo se rompeu, não havia mais noite, nem o quarto, nem corpo. Só um zumbido ensurdecedor.

O zumbido crescia dentro da minha cabeça, como se fosse mil pessoas gritando ao mesmo tempo.

Algumas pediam socorro, outras riam e o resto apenas gritavam. Minha mente é o verdadeiro inferno.

O espelho no canto do quarto me chamou atenção, alguém me encarava.

Era como se eu estivesse me encarando, mas aquilo não parecia eu tinha algo de errado.

Aqueles olhos cansados, quase morto, mas mantia um sorriso no rosto. Meu desespero aumentou.

Eu sentia minhas lágrimas descerem cada vez mais, sentia meu rosto arder, minha pele parecia estar sendo engolida em chamas.

Aquele chão parecia derreter junto do meu corpo, ou pelo menos o que sobrava dele.

Minha mente estava fudida, e estava piorando cada vez mais, o frio que sentia foi trocado pelo calor extremo.

Meu corpo se derretia em suor e lágrimas, as feridas que eu causei no meu corpo comparado com aquilo não era nada.

De repente, era um silêncio, uma calmaria, não tinha fogo, não tinha lágrimas nem mesmo aquela maldita dor.

Ou aquela angústia que me agonizava.

Doce Colapso | ⚢Histórias para pegar e não largar. Descubra agora