A sombra e a Criança 🖤

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Ela sempre soube que havia algo errado com ela.
Ou talvez... algo errado com o mundo ao seu redor.
Desde pequena, sentia que não estava sozinha. Mesmo nas noites em que os pais dormiam pesadamente, mesmo quando as portas estavam trancadas e as janelas fechadas. Havia algo. Um sussurro. Um arrepio. Uma presença.

Aos sete anos, desenhou um homem de pé atrás de si, com uma máscara branca e olhos escuros. A professora chamou os pais. A mãe riu, desconfortável. O pai disse que era só imaginação.

Mas ela sabia.
A figura nunca falava. Apenas observava. Às vezes, via sua sombra à beira da floresta, outras vezes refletida no espelho por um instante antes de desaparecer. Ele sempre estava ali.
E ela... aprendeu a não contar mais pra ninguém.

— Você ainda está me seguindo? — perguntava em voz baixa, quando estava sozinha no quarto.
E o quarto respondia com silêncio. Mas seu coração sabia a resposta.

Ele a protegia de certas coisas. Uma queda da escada evitada. Um estranho afastado na rua com um olhar repentino de terror. A menina começou a entender: a sombra não queria machucá-la.
Mas queria algo dela.

Conforme crescia, a obsessão dele crescia junto.
Ela sentia olhos queimando sua pele enquanto dormia.
Escutava passos na floresta mesmo quando estava trancada por dentro.
E às vezes... sonhava com ele.
Com mãos que a tocavam sem tocá-la.
Com uma voz que dizia seu nome como se fosse a única coisa que existia no universo.

— Eliah...

Acordava ofegante. Assustada.
Excitada.

O tempo passou. Ela virou mulher.
Mas a sombra... nunca foi embora.

Agora, com dezenove anos, Eliah vivia cercada por paredes, mas nunca se sentia segura.
Porque ele estava lá.
Ghostface.
O homem com a máscara.
O homem que a queria.
O homem que jurou, desde a infância, que se ela não fosse dele, não seria de mais ninguém.

Beneath The MaskWhere stories live. Discover now