Os dias são todos repetitivos e chatos, todos se tornam iguais em um nível irritante, até que eles mudem. Isso se chama mudança, quando a escola não é mais a mesma, o caminho não leva ao mesmo lugar, tudo muda tão de repente.
Me chamo Lena, atualmente tenho 16 anos, perdi meus pais quando tinha 11 anos em um incêndio acidental, desde então moro com meus tios. Meu dia hoje começou as 03:48 da manhã, com meus tios discutindo alto no quarto, novamente.
Levantei, quando vi eu já estava fazendo meu café, já que não conseguiria voltar a dormir nem se eu quisesse, já era. Vi minha tia sair do quarto chorando, ela caminhou lentamente até a cozinha, se sentou na cadeira e ficou me olhando fazer o café.
— Eu sinto muito. Não era pra ser desse jeito. Ela disse entre soluços, chorando ainda mais. — Oque foi, tia? Eu perguntei, agora olhando pra ela.
— Você vai morar com a sua avó, Lena.
Eu gelei, eu não vejo minha avó desde o incidente com meus pais.
— Oque? Exclamei encarando o café derramado na pia. — Por que?
Era notável o desespero em minha voz.
— Eu não posso dizer, eu sinto muito. Ela se acabara de chorar.
Eu não insisti, já tinha entendido tudo que estava acontecendo ali. Provavelmente o motivo envolveria meu tio, mesmo que ele nunca tenha reclamado de mim. Perder ou ganhar alguma coisa já não me afetava desde os meus 11 anos, de qualquer maneira.
Havia se passado algum tempo, tudo estava mais calmo. Eu estava no meu quarto, arrumando as malas, enquanto as prontas eram levadas para o carro pelo meu tio. Minha tia tinha os olhos vermelhos, embora tentasse um semblante tranquilo até o aeroporto, ela não queria me preocupar. Mesmo assim, não parei de pensar nessa viagem, eu estava saindo de Londres e indo parar em Paris.
Me despedi dos meus tios rapidamente, eu precisava de um tempo. Entrei no avião correndo, me sentei perto da janela enquanto encarava o aeroporto diminuindo de pouco em pouco.
— Indo embora de novo, Lena?
Murmurei para mim mesma, pequenas lágrimas escorriam sobre meu rosto, minhas bochechas levemente rosadas. Tapei-me com meu casaco, afim de fazer silêncio. Chorei até pegar no sono.— Senhores passageiros, estaremos pousando em breve, por favor, preparem-se.
Acordei com a voz da comissária avisando sobre o pouso, meu cabelo estava bagunçado, eu parecia uma alienígena perdida num mundo de humanos.
Desci do avião, olhando em volta, vi Bianca, Minha avó materna.
— Minha Lena! — Ela exclamou, com um sorrisinho gentil apressando o passo em minha direção. Junto a ela tinham mais dois rapazes, aparentemente, um adulto e um adolescente. Eles não falaram comigo, apenas acompanharam minha avó.
— Vovó..
Olhei pra ela sem saber oque dizer, não conversávamos faziam anos. E então, a história começa. E o que eu falaria para minha tão querida avó? Eu nem sequer tinha intimidade com ela...
— Você cresceu..
Ela chegou mais perto, me apalpando e depois ajeitando meu cabelo. Dava para ver que ela estava feliz, não pude deixar de sorrir.
— Ah, você diminuiu, Vovó.
Eu brinquei, suavizando o clima. Não pude deixar de notar o adolescente ao lado dela, alto, tatuagens e aparentemente, motoqueiro. Mas era tudo especulação, eu nem sequer o conheço.
— ah, Lena, a propósito, esse é o dono da casa em que trabalho. Eu moro lá, faço faxina e cuido. Não se importa de dividir o quarto comigo, certo?
Vovó olhou para o homem mais alto, era bem vestido, Cabelos pretos e olhos claros, quase azuis. Ele vestia um terno caro, tinha realmente cara de chefe.
— é claro que não.. Você sabe.
Eu dei um risinho.
— Esse é o filho dele, Jaden. A propósito, eu também acabo tendo que tomar conta dele. É quase como um neto pra mim.
Bianca disse, bagunçado o cabelo dele.
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PERDIDA EM PARIS
عاطفيةTudo isso surge depois de uma viagem que muda minha vida. Oque surge? Bom.. Eu nunca esperei admitir isso. Mas talvez eu tenha me apaixonado pelo meu melhor amigo.
