Tyler estava sentado no chão do estúdio, costas na parede, violão encostado no joelho e os dedos parados nas cordas. Ele tocava há horas, mas nada parecia certo. A letra vinha e ia, como se o som que ele precisava estivesse preso em outro corpo, em outra pele.
E foi quando Josh entrou.
Camisa preta colada ao peito suado, cabelos tingidos recém-bagunçados pela touca que ele tirava ao cruzar a porta. Os olhos castanhos pousaram em Tyler com a mesma facilidade com que batia nas baquetas: certeiro, firme, inevitável.
— Você ainda tá aí? — Josh perguntou, jogando a mochila no sofá. — Tô ouvindo o mesmo acorde faz uns 30 minutos.
— Talvez eu precise de outra batida, — Tyler murmurou, sem encarar.
Josh se aproximou devagar, sentando ao lado dele, tão perto que Tyler sentiu o calor do corpo dele. Por um segundo, não havia música. Só a respiração dos dois, o silêncio denso, e o espaço entre eles que gritava pra ser quebrado.
— Posso tentar algo — Josh disse, pegando duas baquetas da mochila e batendo ritmado na perna. Um compasso seco, lento, como um coração batendo devagar demais.
Tyler observou, hipnotizado. Aquele ritmo encaixava. Aquele som era exatamente o que faltava — não na música. Nele.
— Isso, — Tyler sussurrou. — Isso tá certo.
Josh levantou os olhos. E ficou olhando. Longo demais. Profundo demais.
O ar ficou pesado. O tipo de silêncio que não se ouve, só se sente — no estômago, nos ombros, entre as coxas.
— Você tá... bem? — Josh perguntou, mais baixo agora.
Tyler assentiu, mas não respondeu. Ao invés disso, virou o rosto só um pouco. Olhou pra boca dele. Pro jeito como ela se curvava no canto, quase um convite.
Josh percebeu.
Tyler viu quando ele percebeu.
E mesmo assim, não desviou.
O beijo não foi ensaiado, nem suave. Foi direto, bruto, quente. Como um verso que explode no meio do refrão. Como se os dois soubessem que estavam segurando isso tempo demais.
Josh puxou Tyler pela camisa e o encostou com força na parede, a língua abrindo caminho sem pedir licença. Tyler gemeu baixo, o som escapando como um vazamento de energia contida.
E quando Josh parou, ofegante, olhos acesos, Tyler sentiu a pele queimar por onde ele tinha tocado.
— A gente devia... — Josh começou.
— Não, — Tyler interrompeu. — Não pensa. Só toca.
Josh sorriu. E dessa vez, a batida veio inteira.
