A janela do expresso

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O céu de setembro parecia mais cinza do que Lily Evans lembrava. O vidro da janela do Expresso de Hogwarts estava levemente embaçado com o calor de sua respiração, mas ela não se importava em limpar. Seus olhos estavam fixos nas paisagens que passavam — campos, florestas, tudo misturado ao ritmo constante do trem.

Ela estava sozinha na cabine. Pela primeira vez em quatro anos, não havia Severus.
E, estranhamente, ela ainda não sabia se isso a deixava mais leve ou mais vazia.

O barulho da porta se abrindo fez seu coração acelerar por um instante. Ela girou o rosto para ver quem era, esperando algum colega aleatório. Mas era James Potter.

— Ué, sozinha, Evans? — ele perguntou, com aquele sorriso meio torto e confiante. A mão ainda segurava a maçaneta da porta, e seus olhos percorreram a cabine antes de se fixarem nela.

— E daí? — ela rebateu, tentando parecer desinteressada, mesmo que soubesse exatamente por que seu estômago revirava. — Não posso?

James deu um risinho baixo.

— Só achei curioso. Você geralmente tá com o Snivellus.

O olhar dela endureceu.

— Não chame ele assim.

James levantou as mãos em um gesto de rendição e entrou na cabine, fechando a porta com um clique suave.

— Tudo bem, sem apelidos hoje. — Ele se jogou no banco à frente dela, de lado, como se já fosse parte do espaço. — Mas sério… você tá bem?

A pergunta a surpreendeu mais do que ela gostaria. Lily franziu a testa, como se aquilo fosse algum tipo de armadilha. Mas quando olhou de novo, o rosto de James não estava zombeteiro. Ele só… parecia curioso. E um pouco preocupado.

— Eu estou ótima — respondeu, um pouco mais defensiva do que pretendia.

— Claro que está — disse ele, recostando-se. — Sempre tão independente. Mas mesmo as flores mais bonitas precisam de um pouco de sol, né?

Ela arqueou uma sobrancelha.

— E essa era a sua tentativa poética do dia?

James riu, e aquilo a irritou e aqueceu ao mesmo tempo.

— Talvez. Ou talvez eu só esteja tentando conversar com o Lírio mais bravo do jardim.

Lily revirou os olhos, mas não conseguiu evitar um leve sorriso no canto dos lábios.

— Esse apelido é ridículo.

— Vai se acostumar — disse ele com um brilho nos olhos. — Um dia, quem sabe… você até goste dele vindo de mim.

Ela o encarou por um segundo a mais do que devia. A tensão pairou no ar, leve, mas perceptível. Então, com um pigarro, Lily desviou o olhar de volta para a janela.

— Ainda tem lugar aqui pros seus amigos? — ela perguntou, mudando de assunto. — Ou você vai continuar me incomodando sozinho?

James sorriu mais largo. Aquilo era... novo. Um convite?

— Só se você prometer não enfeitiçar ninguém logo no começo do ano.

— Sem promessas, Potter.

Ele se levantou, abriu a porta da cabine e gritou para o corredor:

— MOONY, WORMTAIL, PADFOOT! ACHEI UM LUGAR — e logo voltou-se para ela com aquele sorriso travesso. — A gente vai te fazer companhia, Evans. Se prepare.

Lily suspirou, sem conter um pequeno sorriso.

Talvez, só talvez, esse ano fosse diferente.

O amor entre as flores - jily,wolfstar e dorleneStories to obsess over. Discover now