oque ele sentia?

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💭 Continuação - Ponto de Vista de Javon

O pior foi quando ela entrou na faculdade.

Do dia pra noite, a Sarah sumiu.

Primeiro, ela parou de aparecer nos fins de semana. Depois, nas festas de família. E, por fim, nas manhãs de domingo, que antes eram nossas - ela com uma xícara de café, eu deitado no tapete, reclamando da escola, da Jayla, da vida.

Ela dizia que era a correria. Que tava puxado. E eu acreditava.
Mas doía.

Eu mandava mensagem.
- "Oi, Sarah. Tá tudo bem?"
Duas horas depois, vinha um "tô sim, e você?"
Eu respondia em segundos. E esperava mais um dia inteiro pra ela mandar um emoji.

Era estranho ver os stories dela em festas. Com amigos novos, roupa bonita, rindo como se não existisse mais ninguém da casa Walton.
Ela tava aproveitando. Ela merecia.
Mas por que eu sentia que ela tava me deixando pra trás?

A Jayla dizia:
- Ela tá vivendo a vida, Javon. Crescendo.
Mas e eu? Eu também cresci.
Ela só não tava aqui pra ver isso acontecer.

O tempo passou.
Minha vida virou um furacão.

Os filmes vieram. A internet explodiu. A luta me levou pra lugares que eu nunca tinha imaginado.

De repente, eu era "Javon Walton".
Aquele menino que todo mundo conhecia. Que ganhava seguidor a cada vídeo, que aparecia na TV, que tinha fã clube, contrato, evento, meet & greet.

E eu adorava. De verdade.
Eu gostava de mostrar meu dia, de motivar outras pessoas, de sorrir pra câmera e mostrar gratidão por tudo.

Mas tinha uma parte da minha vida que eu nunca postei.
Nunca falei.
Nunca compartilhei.

Sarah.

Ela era minha, de um jeito que ninguém mais entenderia.
Os únicos vestígios dela eram aqueles vídeos antigos - ela dançando com a Jayla na sala, gritando quando a gente derrubava suco no sofá, tentando separar eu e Jaden quando a gente brigava por um controle.

Os fãs adoravam.
- "Quem é essa moça linda nos vídeos antigos?"
- "Ela era babá de vocês?"
- "A Sarah é da família?"

E eu só sorria.
Nunca respondia.

Porque Sarah não era pra internet.
Ela era... outra coisa.
Ela era a parte da minha vida que eu nunca quis dividir com ninguém.
A parte que sempre doeu um pouco lembrar.
Principalmente porque fazia muito tempo que ela não voltava.

Eu lembro exatamente do dia.

Meu aniversário de 17 anos.

Aquela data que eu sempre imaginei que fosse especial, não só porque eu crescia, mas porque tinha uma esperança enorme guardada no peito: ela viria me ver.

Sarah.

Eu não queria muito, só queria que ela aparecesse. Que cruzasse a porta da minha casa com aquele sorriso torto, o cabelo bagunçado e a risada que fazia tudo parecer menos pesado.

Durante semanas, eu pensei nisso.
Será que ela vai conseguir? Será que vai arrumar um tempo? Será que vai lembrar?

No fundo, eu queria que ela estivesse ali, com a gente - como nos velhos tempos.

Mas o dia passou.

E ela não veio.

Nem uma mensagem.
Nem um telefonema.

Nada.

Eu fiquei esperando. E esperando.
Olhava a porta da sala, esperava que ela entrasse, esperava pelo seu cheiro, pelo som da voz dela.

E quanto mais o tempo passava, mais a esperança se esvaía.

Minha mãe perguntou se eu queria fazer outra coisa, me distrair, mas eu só consegui fechar os olhos e sentir o vazio crescendo no peito.

Porque eu sabia.

Sarah não vinha.

E a ausência dela naquele dia não foi só um esquecimento. Foi uma ferida aberta.

O garotinho que ela cuidou por tanto tempo, que ela mimou, que ela abraçou quando ninguém mais abraçava, estava crescendo.

Mas no fundo, naquele dia, eu me senti pequeno.

Pequeno demais pra alguém que eu amava e que me deixou esperando... sozinho.

⭒⭒ 𝒥𝒶𝓋𝑜𝓃 & 𝒮𝒶𝓇𝒶𝒽 ⭒⭒
❝ ela era o caos que ele quis chamar de lar ❞
✦ 𝒹𝑜𝓈 𝓁𝒾𝓂𝒾𝓉𝑒𝓈 𝓃𝒶𝓈𝒸𝑒𝓊 𝑜 𝒾𝓃𝑒𝓈𝑒𝓅𝒶𝓇𝒶𝓋𝑒𝓁 ✦

Por Que Você é a Única Que Não Me Vê?Stories to obsess over. Discover now