Gotham apodrecia em silêncio.
O céu, sempre encoberto por nuvens densas e escuras, parecia pesar sobre os ombros dos que ainda tentavam viver na cidade. Os becos exalavam fumaça e podridão, e os gritos, outrora abafados, ecoavam agora com naturalidade pelas ruas. Era como se a própria alma de Gotham estivesse gritando por socorro.
No alto de um edifício abandonado, três figuras observavam o horizonte distorcido por neblina e fumaça. Uma delas, envolta em capa negra, fitava a cidade com olhos frios e atentos. Batman, o Cavaleiro das Trevas, há muito tempo deixara de acreditar em soluções simples. Ao seu lado, contrastando em cores e atitude, estavam duas aliadas improváveis: Hera Venenosa, dona de uma beleza letal e um coração ferido pela ganância humana, e Harley Quinn, ex-terror da cidade, agora um furacão de energia e loucura canalizada para algo novo... talvez até algo bom.
— Gotham está à beira do colapso — murmurou Batman, sua voz rouca cortando o silêncio como uma lâmina.
— A natureza também sofre aqui — comentou Hera, cruzando os braços. — A cidade está doente. E como toda doença, precisa de um antídoto... ou um veneno mais forte.
Harley sorriu com o canto da boca, girando um bastão entre os dedos. — Se ninguém vai salvar essa cidade maluca, então talvez a gente seja o trio de malucos certo pra tentar.
E assim foi selada a aliança mais improvável que Gotham já conheceu...
A Batcaverna estava viva de luzes e sons. Os monitores do Batcomputador pulsavam com alertas em vermelho, exibindo relatórios, crimes em andamento, movimentações criminosas, rotas suspeitas. Era um verdadeiro mapa do caos.
Harley Quinn se apoiava despreocupadamente numa pilastra, olhando as imagens como se assistisse a um filme de ação. Hera, ao lado, analisava os dados com olhos atentos e frios. No centro da caverna, Batman digitava velozmente, filtrando informações.
— Cada ponto vermelho representa um crime em andamento — explicou ele. — Roubo, sequestro, tráfico, assassinato. A cidade está explodindo.
— Parece até uma rave do mal — comentou Harley. — Só que sem música e com cheiro de esgoto.
— A corrupção não está apenas nas ruas — completou Hera. — Está dentro das instituições, nos tribunais, nas delegacias. Precisamos ir além de combater bandidos com máscaras. Temos que arrancar as raízes da podridão.
— Então vamos fazer isso — disse Batman, já traçando planos. — Podemos seguir duas abordagens: ações diretas, ou infiltrações estratégicas. Precisamos decidir agora.
Harley pulou animada. — Eu voto pelo caos com estilo. Vamos fazer barulho e quebrar umas caras.
— E eu voto pela inteligência — disse Hera, séria. — Caos só gera mais caos. Precisamos atingir o coração do sistema.
Batman não respondeu. Seus olhos encaravam a cidade no mapa como se estivesse vendo um campo de batalha. E talvez estivesse.
Foi nesse momento que passos ecoaram pela caverna. Firmes, determinados.
Damian Wayne surgiu na entrada da caverna, com a postura de quem já carregava o mundo nas costas — como o pai.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou ele, desconfiado.
Harley acenou com um sorriso debochado. — E aí, garotão!
Damian ignorou o cumprimento. Seus olhos se fixaram no pai.
— Você confia... nelas?
— Eu confio que Gotham não vai sobreviver sem algo novo — respondeu Batman, sem hesitar.
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A Queda do Riso
ActionGotham mergulha ainda mais fundo no caos. Diante de uma cidade dominada por corrupção, violência e alianças criminosas, uma aliança inesperada é formada: Batman, Hera Venenosa e Harley Quinn se unem para proteger aquilo que ainda resta de Gotham, ma...
