Eu nunca tinha ido para o interior. Sempre morei em cidade grande e jamais pensei que conheceria um. Mas, nas minhas férias, minha vó me chamou para passar uns meses com ela em seu sítio, pois fazia muito tempo que eu não a via. E também porque ela estava com muitas saudades de mim.
Eu logo aceitei. Ela é a melhor avó do mundo, a melhor pessoa que eu já conheci.
Nós íamos de ônibus mesmo, afinal, nenhum de nós ali era rico. Eu estava estudando ainda e não tinha dinheiro nem para comprar uma bala, quem dirás para comprar uma passagem, então achamos melhor irmos de ônibus, pois economizaríamos um bom dinheiro.
Minhas mãos estavam geladas. Estava ansioso, com espasmos por todo o corpo e todo arrepiado, a ponto de não passar nenhuma agulha.
Era a casa onde morava minha tia, seu marido, e o filho deles. Vó disse que meu bisavô, seu pai, era muito carrasco. Ela me mostrou uma foto dele em preto e branco, toda desbotada daquele tempo, e sério, o véio tinha mó cara de ruim. Quem olhava, pensava que ele só andava com aquela carranca de ódio o tempo inteiro. Que dormia e acordava virado no cão.
Chegamos.
A viagem havia sido muito cansativa. Estava todo moído. Meus pés, me matando. Minha bunda nem se fala. Essa daí já estava quadrada faz tempo. Assim que cheguei, já fui recebido por meu primo Pedro. Logo que me viu, ele se levantou da rede em que estava e, sorrindo, veio rapidamente me ajudar com as malas.
Nossa, como ele está diferente! Dá última vez em que nos vimos, ele não tinha nem pelos debaixo do braço, agora está enorme. Provavelmente deve ter começado a malhar, consigo ver o seu físico bem definido. Já a cara, continuava a mesma. Aparentava ser inocente, quando na verdade, não passava de um descarado.
Ele chegou bem perto de mim e me abraçou. Estranhei. Nunca fomos tão íntimos a esse ponto. Fiquei ali e não esboçei nenhuma reação. Foi um abraço apertado e um pouquinho demorado. Acariciou um pouco a minha nuca e respirou pesado em meu pescoço, me fazendo sambar por dentro. Quando estava quase me soltando, sussurou em meu ouvido:
- Saudades de você, priminho.
Sua voz era baixa. Baixa o suficiente para que só eu pudesse ouví-la. Ele deu um sorriso de canto rápido, passando a mão pelos cabelos enquanto pegava as malas das minhas mãos, levando elas para dentro.
Eu fiquei estático. Parado que nem uma estaca teza. O que foi aquilo que acabou de acontecer? Foi impressão minha, ou o meu primo acabou de dar um pequeno mole para mim? Muito estranho para quem nunca reparou em mim.
Afasto esses pensamentos, percebendo a presença de alguém.
- Vejo que Margarida realmente conseguiu te convencer a passar um tempo aqui conosco, Caio. - Diz minha tia Glória, vindo até mim.
- Oi, tia, como a senhora está? - A abraço.
- Estamos aí na luta né, meu filho. - Me abraça forte, me apertando, ao mesmo tempo em que dava leve batidas em minhas costas. Quase perco o ar, sem brincadeira. Ela então me solta, passa o braço ao redor do meu corpo, e eu ponho o meu na parte de trás dos seus ombros, e assim caminhamos juntos até a porta de casa.
- Nossa, meu filho. Mas como você está magrinho! Lá na cidade eles não te dão comida não? - Titia sempre foi assim. Gostava de fartura. Para ela a pessoa só estava bem, se estivesse com os botões da camisa estourando.
- A senhora sabe que eu não posso engordar - Digo quando finalmente entramos e fomos até a sala. - Preciso manter minha silhueta.
- Você devia era parar de coisa e se alimentar direito! - Me dá um tapa que quase levou o meu braço. Nada para machucar, é só o jeito "brabo", dela. - Olha só pra isso, está parecendo uma lumbriga - A olho chocado. - Espie, que canela. Vá tratar de comer, vá. Anda, chispa!
Bate os pés no chão que nem uma maluca, me escarrerando para a cozinha. Ao chegar lá, levo um susto ao me deparar com Pedro em minha frente.
- Ai, garoto! - Coloco a mão no peito. Ele estava na porta de um quarto, encostado e em pé, com o pé na parede.
- Sabe, para mim você está ótimo assim.
Se aproxima, ficando com o rosto cara a cara com o meu. Eu podia sentir o seu cheiro de campo misturado com suor. E ele havia trocado de roupa. Estava só de bermuda. Também estava descalço. Mas isso não era nenhuma novidade para mim. Ele nunca gostou muito de calçados. Nem mesmo dos chinelos mais abertos. Dizia que dava gastura usar.
- Como é? - Digo sem entender.
- O corpo. - Ele aponta e sai, me deixando igual um idiota em pé.
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Meu primo
General FictionApós a sua chegada ao sítio de sua tia, Caio precisa aprender a lidar com o seu mais novo desejo de querer ser possuído pelo seu primo.
