CAPÍTULO 1

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Ipanema já tinha deitado. A praia tava escura, os quiosques fechando, e só o som de um skate perdido cortava o asfalto da Visconde de Pirajá. No orelhão perto da praça General Osório, um vulto encostado com a cabeça baixa e um cigarro entre os dedos parecia parte da noite. Camisa social amassada, olhos vermelhos.

Jungkook.

Ele discou o número decorado com a calma de quem fuma devagar, tragando fundo. O telefone tocou quatro vezes.

— Alô?

A voz do outro lado veio seca, sonolenta.

Jungkook encostou a testa no ferro frio do orelhão.

— Jimin... somos amigos?

Silêncio.

— Que porra é essa, Jungkook?

Ele sorriu fraco.

— Tô perguntando. A gente é amigo? Parceiro? Companheiro?

Do outro lado da linha, Jimin respirou fundo. O som abafado do lençol sendo afastado, a janela talvez sendo fechada.

— Isso é o quê, uma pesquisa emocional às duas da manhã, Jeon?

Jungkook não respondeu de imediato. Só tragou mais uma vez e soltou a fumaça com um sopro lento, como se quisesse que ela viajasse até o ouvido de Jimin.

— Tô com saudade da tua voz. Tô com saudade de tu me xingando por tá fumando de novo, loiro. E de tu fingindo que não sente nada quando tá quase explodindo por dentro.

— Tu tá chapado?

— Só um pouco.

Outro silêncio. Dessa vez, mais tenso.

— Tá se metendo com aquilo ainda?

Jungkook engoliu seco. O gosto da fumaça já não descia suave. Era mais amargo agora.

— Só vendo umas coisas, nada demais. Só maconha. Nada pesado.

Jimin bufou.

— Tu sempre fala isso. E sempre tem algo por trás. Tipo as mochilas que tu carregava pra aquela galera da Lapa. Tipo o dia que eu vi tu saindo da pedra com a camisa cheia de sangue e disse que era ketchup.

Jungkook fechou os olhos. Riu pelo nariz.

— Tu lembra de tudo, né?

— É claro que eu lembro. Tu era meu namorado, Jungkook.

O silêncio entre os dois ficou denso. Nem os carros da madrugada conseguiram quebrar. Do lado de fora, o Rio parecia em pausa. Como se o mundo segurasse o fôlego pra ouvir o que vinha depois.

— A gente ainda é isso? — Jungkook soltou, quase num sussurro. — Namorado?

Jimin hesitou.

— Não. Nós não somos… nada, Jeon.

— Nada não faz a mão tremer quando escuta meu nome.

— E tu não sabe o que é sentir culpa por amar um cara que vende veneno pra outros.

Jungkook se calou. Encostou o punho na boca. O cigarro queimando entre os dedos, esquecido.

— Cê sabe que eu nunca quis isso pra mim. Eu só… eu só me perdi um pouco.

— E achou que eu ia ficar esperando tu se encontrar? Tu, de boné abaixado, sumindo em viela, enquanto eu fingia que não sabia de nada? Que eu ia continuar deitado do teu lado sabendo que teu corre podia matar alguém?

IPANEMA SEOUL - JJK - PJMCerita yang bikin terobses. Temukan sekarang