"A noite onde tudo começou."
As noites em Snezhnaya eram frias, tão frias quanto o inverno mais rigoroso, quanto a montanha mais alta de Moondstad, quanto o usuário Cryo mais habilidoso. Poucos sobreviviam sem o devido cuidado, aqueles que sobreviveram estavam fadados a encarar tempestades de neve ainda mais congelantes. Muitos o chamavam de karma dos deuses, alguns nem sequer tinham coragem para se aproximar. Mas aqueles que conseguiram se adaptar, afirmaram com a certeza dos Sete que aquele era o lugar mais deslumbrante e vivo das terras de Teyvat.
No castelo mais distante, na montanha mais inacessível, onde as tempestades eram mais impetuosas que a ira dos deuses, se encontrava a base oficial dos fatui. Um dos únicos lugares quentes de Snezhnaya... um dos únicos lugares que ainda possuía vida.
Estavam festejando, dando início ao novo anoitecer, a um novo mundo.
Pela primeira vez aquela fortaleza sem vida e aterrorizante, foi utilizada para o início de um novo império... para o início de uma nova guerra. Todos aqueles convidados se empanturravam com esperanças, elogios, e principalmente, luxúria.
Todos acreditando que um novo amanhecer viria em breve, trazendo riqueza e paz para este mundo devastado.
Todas aquelas canções, aquelas danças, todos confiando cegamente na Deusa que entregaram seus corações, acreditando que Tsaritsa recomeçaria o mundo da forma correta. Ela possuía a alma e esperança daquele povo na palma da mão, dispostos a lutar guerras por ela... morrer por ela.
Nos confins mais afastados do castelo, nas profundezas mais escuras, jazia uma pequena cela. Um prisioneiro sem esperanças, um garoto destruído e forçado a recolher os cacos de sua existência. Totalmente esgotado, apenas esperando pelo fatídico dia em que seu destino estaria selado. Até que sua existência se evaporasse desse mundo.
As paredes eram de uma coloração cinza névoa... ou pelo menos eram para ser. A maior parte já havia descascado, criando formatos irregulares entre a tinta já seca.
Era possível observar o musgo crescer entre as rachaduras de seu... aposento, tornando o lugar ainda mais úmido. Era estranho pensar que aquela seria uma das últimas espécies de vegetação que veria na vida.
Uma cama era o único conforto que restava para si, bagunçada e suja, com percevejos que arriscaram a sorte e se aproximaram dele. Mas ainda era uma cama, ainda era um lugar onde poderia tentar se aconchegar.
A pequena janela com grades no canto direito da cela trazia algum brilho do lado de fora, alguns ventos de esperança que faziam sua pele se arrepiar e coçar. Quando a lua estava em seu ápice, era possível criar uma luz natural dentro de seu calabouço... talvez um dos únicos motivos para continuar vivo. Se ele pudesse ver luz... talvez pudesse fechar os olhos e esperar por um novo dia... o dia em que tudo terminaria.
Um som na porta de madeira gasta foi o suficiente para fazê-lo se sentar de forma ereta na cama, mesmo que sua única vontade fosse ficar deitado e esperar que os deuses decidissem seu destino. Haviam três guardas fatui guardando a entrada, junto com uma barreira de proteção pronta para prender seu corpo neste cômodo.
Assim que a porta se abriu, reconheceu de imediato a figura pronta para adentrar o local.
Um dos mensageiros Fatui... Pantalone.
Não havia ouvido muito a respeito dele, mas sabia que este homem possuía algum talento bom o bastante para chamar a atenção de uma deusa. Não se deixou vacilar diante da nova presença, mesmo que tivesse enfrentado outros tão fortes quanto esse. Um inimigo ignorado poderia se tornar o triplo do problema no dia seguinte.
O homem, porém, parecia calmo demais, com um sorriso que nunca deixava seus lábios. Seus óculos pendiam a visão dos olhos no quarto... na figura sentada rigidamente na cama.
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O CHAMADO DO MAR
Fanfiction"Tudo começou com lindos olhos verdes e esperançosos-" "Não é dessa forma que sua história começa." "E quem é que está contado ela?" Um herói desgastado e quebrado, forçado a recolher os cacos de sua existência antes de s...
