O chão frio era o único que parecia escutar.
Luo Binghe estava ajoelhado, os cabelos desfeitos, os olhos vermelhos como se chorassem desde antes do mundo nascer. As lágrimas caiam com o peso de séculos. Não havia mais força em seu corpo para se conter, nem orgulho o bastante para esconder.
— Por quê? — sua voz quebrou como porcelana trincada. — Por que o senhor não me ama?
Ele não gritou. Não implorou. Apenas deixou que a dor escorresse em cada palavra, como se estivesse finalmente soltando o que carregava preso no peito há anos. Os punhos cerrados, os ombros tremendo — não de raiva, mas de um desespero tão íntimo que nem mesmo a morte ousaria tocar.
Shen Qingqiu permaneceu em silêncio.
Sentado perto da janela, os olhos fixos na madeira do assoalho, ele parecia imune. Mas por dentro... era outra história.
Seu coração batia com a violência de uma tempestade presa num jarro. As mãos apertavam o tecido das próprias vestes como se fossem sua última âncora. Ele inspirou lentamente, uma, duas vezes, e então, com relutância, falou — não como mestre, nem como cultivador, mas como homem:
— Luo Binghe… eu o amo.
O silêncio que seguiu foi mais pesado do que qualquer palavra antes dele. Shen continuou, a voz baixa, mas firme:
— Eu o amo… da mesma forma que amo o som dos pássaros ao amanhecer, quando tudo ainda está calmo. Da mesma forma que sinto a brisa fresca do verão acariciar meu rosto após um dia sufocante. Amo como se ama a luz que escapa entre as folhas das árvores, como se ama a quietude das noites em que a lua não aparece, mas o céu ainda é bonito.
Seus olhos, agora erguidos, estavam marejados. Mas sua expressão era serena — como a superfície de um lago prestes a transbordar.
— Tenho medo — confessou. — Medo de que, se eu me mostrar frágil demais, você se vá. Medo de que veja o quão insignificante eu sou perto de tudo o que você é. Porque, Binghe... mesmo quando eu não disse em voz alta, ou não demonstrei com ações, meu amor sempre esteve aqui. Preso. Oculto. Genuíno.
Ele olhou para as mãos, como se nelas estivesse a resposta para toda a culpa do mundo.
— Amar você... é como caminhar descalço sobre cacos de vidro. Cada passo machuca, mas eu não consigo parar. Cada vez que vejo tristeza nos seus olhos, sinto como se uma parte de mim se rasgasse inteira. Como se eu não tivesse sido feito para ser amado... apenas para amar. À distância. Em silêncio. Sozinho.
Luo Binghe o olhava sem piscar. Como se Shen fosse feito de luz e estivesse se apagando.
Então ele se aproximou — sem pressa, sem palavras. Ajoelhou-se diante de Shen Qingqiu com o mesmo cuidado de quem se ajoelha diante de um altar. Estendeu as mãos, e, pela primeira vez, Shen não recuou.
Luo o envolveu nos braços com ternura, com reverência. E ali, naquela aproximação lenta, não houve mais resistência. Só dois corações frágeis, batendo lado a lado.
— Não precisa dizer mais nada — sussurrou Binghe, colando a testa na dele. — Eu escutei tudo.
E naquele abraço, Shen Qingqiu sentiu, talvez pela primeira vez, que era permitido doer. E que havia amor suficiente no mundo para suportar sua dor.
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A voz que me faltava
Romance> Shen Qingqiu sempre soube amar em silêncio. Luo Binghe, por outro lado, aprendeu a amar com o coração nas mãos. Depois de tantos gestos contidos, palavras engolidas e dores que nunca foram ditas, a confissão chega no momento mais vulnerável - quan...
