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Maria?

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O chão estava frio.

Frio e duro como uma pedra.

Ela abriu os olhos devagar, e por um instante breve demais para perceber.

Ela não sentiu medo...

Só silêncio...

Depois veio o gosto de poeira, seco e amargo como papel velho. O som de uma casa que respirava sozinha.

E o medo, enfim, acordou com ela.

Não havia janelas abertas. A luz era turva e pálida. Tudo parecia fora do tempo: os móveis cobertos de lençóis, o papel de parede rasgado, o ar estagnado como se ninguém tivesse existido ali por anos.

Ela se sentou com esforço.

O corpo doía como se tivesse sido arrastado, como se o próprio chão tivesse tentando engolir seus ossos.

Ela olhou ao redor.

Nenhum som, nenhuma nome...

Nem mesmo o dela.

– Quem...?

A pergunta morreu no ar como se a casa recusasse respostas.

Ela caminhou com passos vacilantes até a porta da sala. E então parou...

Ali.

No chão.

Estendido com uma vírgula final.

Um corpo.

Feminino, bem jovem,
cabelos castanhos, uma blusinha branca
e uma calça bem larga. O rosto virado para a parede.

Por reflexo e puro instinto humano,
ela recuou.
Puxou o ar, sentiu o pânico subir pela garganta como fumaça.

Ela se desesperou e colocou a mão nos bolsos para pegar seu celular.

Em histórias comuns, ela não encontraria nada em seu bolso.

Mas essa não é uma história comum.

E antes de pensar, antes de perguntar, antes de lembrar...

Ela chamou a polícia...

Não porque sabia o que estava fazendo.
Mas sim porque aquilo parecia ser o certo.

Ou talvez...

Lá no fundo...

Algo nela já soubesse...

As sirenes vieram abafadas. Como se o mundo estivesse longe demais para ser real.

Ela esperou sentada no degrau da varanda...

Longe demais para perceber o quão rápido a polícia chegou.

Dois policiais entraram. Um homem e uma mulher. Os dois com uma lanterna na mão. Ambos com rosto duro, e olhares que já viram o suficiente para não se espantar com nada.

Mas ainda assim, havia um brilho de alerta nos olhos deles ao verem a casa. Ao verem ela.

– Você que ligou? – perguntou o homem.

Ela assentiu. A voz não quis sair.

– Qual seu nome?

Silêncio...

A mulher se aproximou, abaixando-se diante dela como se falasse com uma criança.

– Está tudo bem... Você lembra do que aconteceu, querida?

Maria.
Maria.
Maria.

O nome batia na cabeça dela como um tambor, mas não vinha. Não com firmeza. Não com verdade.

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