Susurros Do Coração

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— Corre!! — Morajo gritou sorridente assim que viu a dona da casa abrir a porta.

Coisas de adolescentes rebeldes.

A velha mulher — Que já estava acostumada com os meninos tocarem a campainha de sua casa quase todos os dias — apenas abriu o portão e se encostou no batente, sorriu ao ver os garotos correrem. Eles lembram exatamente eu e a minha amiga..

Morajo parou, pensou se a mulher não brigaria com eles. Colocou as mãos no joelho, respirando fundo. Linn parou ao seu lado, olhou para mulher, e acenou.

Tinha um sorriso tão lindo..

O cabelo amarelado voou conforme o vento batia. Os olhos avermelhados ficaram entre-abertos por conta do forte vento — Linn tem olhos sensíveis —, os lábios rosados ficaram secos.

A mulher acenou de volta, deu um belo sorriso e começou a fechar o portão. Aí que se lembrou! Essa era a Senhora Agatha. Como pode se esquecer!? Tocou a casa errada novamente. Olhou ao lado e viu a casa acinzentada. Eu deveria ter tocado ali!! Se assombrou por ter feito a burrada de tocar na casa errada novamente.

A mulher, com pijama azul escuro e milhares de estrelas por toda parte, lançou um beijinho antes de trancar totalmente o portão. Sou um idiota!

— Ei, Linn, você quer beber água? — Morajo lembrou que o amigo tinha asma.. Mas não era só pela asma.

Linn tinha Arritmia cardíaca.

E Morajo tirou minutos, horas, talvez até mesmo dias estudando sobre o problema no coração que amigo tinha. Leu todos os laudos médicos quando foi na casa do garoto. Quando Linn ia a qualquer lugar, ele ia na gaveta do quarto do garoto, mexia e revirava tudo.

E descobriu, isso era sério até demais.

Quando Linn teve o primeiro desmaio em sua frente, entrou em desespero total. Não sabia nem mesmo se tinha força e capacidade de ver o amigo desmaiado no chão do quarto enquanto apenas brincavam de avião.

Os olhos brotaram lágrimas, cutucou Linn várias vezes, mas não teve nem um sequer suspiro. Começou a chacoalhar o corpo do garoto, gritava o nome do menino. Estavam sozinhos em casa.

O estômago se embrulhou só de lembrar.

— Não sinto sede agora. Mas eu tô me sentindo meio fraco.. — Tentou se manter de pé, mesmo sentindo uma tontura dentro da sua cabeça.

A circulação de sangue parecia mais demorada que o normal, mas ignorou por enquanto.

— Você tomou café? — Morajo perguntou preocupado. Tinha tanto medo de perder o amigo a sua frente, que levava lanches, garrafas de água, bombinhas de ar, tudo que era necessário para o amigo ficar bem até chegar em casa.

Não me lembro.. — Se apoiou nos joelhos, sentiu vontade de vomitar.

Toma.. Come rápido! Fica bem, por favor.. Você gosta de geleia de morango né? Come logo Linn!! — Rodava desesperado, um pressentimento ruim passou pelas veias. Se sentiu até mais pesado quando viu o amigo mastigar devagar.

Ele não pode ter uma crise aqui.. Pensou com medo.

Eram apenas adolescentes e já tinham tantas inseguranças.

Sentou na beira da calçada e deixou o vento passar pelo rosto. Em meio à confusão e o desespero, Morajo sentiu o corpo apertar. Não conseguiu relaxar por nada.

E se ele desmaiasse? E se ele começasse a respirar lento e fraco? Ele vai ficar bem?

Tudo passou como um vulcão pela cabeça de Morajo. Que já se encontrava chorando como um bebê na calçada. Abaixou a cabeça e apertou a mão em cima do coração. Queria poder te dar metade do que eu tenho, Linn. Pensou. Fungou as lágrimas com força, suspirou pesado e passou a mão pelo rosto.

Sussurros Do Coração | MoraLinn Historias para obsesionarse. Descúbrelo ahora