Prólogo

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Ninguém aplaude no inferno.

Lilith Cross aprendeu isso aos oito anos, quando fugiu de casa pela primeira vez e dormiu no porão de um cinema abandonado.
A escuridão era segura. A plateia vazia era gentil.

Agora, aos vinte e quatro, o palco é outro. Os refletores são reais. E o papel que lhe ofereceram não exige atuação — exige coragem.

— Ele quer te ver. — A voz da produtora era neutra, como se não estivesse oferecendo Lilith à boca de um monstro.
— Ele quem? — ela perguntou, mesmo já sabendo.

— Kaimon.

O nome caiu como veneno quente na espinha.
O assassino. O artista da carne. O homem que mutilava suas vítimas e deixava frases escritas com o sangue delas nas paredes.

Ele estava trancado há nove anos no Hospital Saint Dymphna, um prédio esquecido nos limites de New Orleans. Oficialmente, nem existe.

Lilith não hesitou. Ela queria o papel. Queria a fama. Queria mais.

No fundo, talvez sempre tenha desejado encontrar alguém tão corrompido quanto ela.

Versos Para Uma Pecadora Where stories live. Discover now